27.9.07

Miróbriga

  Marius70 olha extasiado a ruínas romanas que se estendem sobre o seu olhar. Está em Miróbriga.

  Muito próxima da vila de Santiago do Cacém, Miróbriga (topónimo de origem celta), foi inicialmente, na zona do Castelo Velho, povoada por uma população de origem céltica por volta do século IV a. C.. Fabricava louça modelada à mão e decorada por cordões.

  Miróbriga foi fortificado e urbanizado, acentuando o seu desenvolvimento nos séculos II e I a.C..

  A Romanização veio alargar o povoado indo da zona escavada até à Aldeia do Chãos. Foi elevada à categoria de civitas (cidade), teria possuído magistri e município a partir do século I d.C. conforme análises das inscrições encontradas.

  De Miróbriga como topónimo foi encontrada esta inscrição numa lápide descoberta perto das ruínas (Santa Cruz):

  «Consagrado aos deuses Manes, Gaio Pórcio Severo, mirobrigense céltico, faleceu aos sessenta anos de idade. Aqui jaz e que a terra lhe seja leve».

  Três inscrições, duas dedicadas a Vénus e uma a Esculápio, foi considerado a interpretar como templos duas construções situadas no Castelo Velho.

  Para servir a população local ou os peregrinos que afluíam ao santuário, Miróbriga dispunha de termas, compostas por dois edifícios construídos em períodos diferentes com utilização de mármores e decoração de frescos, possivelmente destinados ao uso feminino e masculino.

  Entre os séculos I e II d. C., surgem os compartimentos habituais neste tipo de edificação, ou seja, uma zona de entrada, com salas de vestiário e jogos, e uma zona de banhos frios - frigidarium, de banhos aquecidos - caldarium e tepidarium e o laconium (sala destinada a provocar a transpiração). Duas latrinas sobre a corrente de água que se iria juntarem à do esgoto das termas demonstra bem a qualidade de vida que o Império Romano trazia aos povos e países conquistados.

  As termas situam-se junto a uma ribeira, no sopé da colina do santuário.



  Marius percorreu todo aquele percurso por uma estupenda calçada romana. Viu aquelas termas e imaginou o tempo em que homens mulheres e crianças ali se banhavam, riam, jogavam e desfrutavam de mente sã em corpo são que o obscurantismo da Idade Média tudo fez para apagar.

  Na zona mais elevada de Miróbriga, foi erigido o forum, no centro do qual é visível um templo eventualmente dedicado ao culto imperial, assim como um outro consagrado a Vénus.



  Circundando o forum desenvolve-se toda uma zona constituída por diversas construções de funcionalidade ainda mal conhecida, assemelhando-se, todavia, a duas das edificações mais comuns nos fora provinciais, ou seja, à cúria e à basílica.

  A Sul, por sua vez, desenvolvia-se a área comercial, por excelência, caracterizada pela presença de diversas lojas, as tabernae.

  Miróbriga contava com um circo que comportaria cerca de 25 000 espectadores. Este circo é o único conhecido em Portugal.

  No Museu da Estação Arqueológica de Miróbriga podemos ver um espólio que nos fará pensar que afinal tudo aquilo que hoje utilizamos na vida doméstica diária, desde os botões, às agulhas, às cânforas etc., já os romanos se serviam disso. Como me disse o empregado do IPPAR, os romanos só não tinham era computadores.

Fontes consultadas: «Uma importante estação arqueológica-Miróbriga» À Descoberta de Portugal das Selecções do Reader’s Digest e «Estação Arqueológica de Miróbriga do IPPAR».



31.7.07

Lucius Aelius

LUCIUS AELIUS
(Lvcivs Cionivs Commodvs Aelivs Caesar)
Caesar – 136 a 137 d.C..



  Descendente de ilustre família senatorial que começou a atingir preponderância no reinado de Vespasianus, Lucius Cionius Commodus era filho de cônsul. No ano de seu próprio consulado, foi adoptado por Hadrianus como seu filho e sucessor (ao mesmo tempo, sua filha Fabia ficou noiva do jovem Marcus Aurelius). Adoptou o nome de Lucius Aelius Caesar, foi designado cônsul para o ano 137d.C. e recebeu o privilégio do poder tribunício. Foi então enviado ao Danúbio com responsabilidade militares, de forma a prepará-lo para o poder imperial que deveria assumir. Voltou a Roma no Inverno de 137, ficou doente na véspera do ano novo e morreu em Janeiro de 138, talvez de tuberculose.

  Devido à morte de Lucius, Hadrianus adopta como seu protegido Titus Aurelius Hadrianus Antoninus (Pius) em 138, subindo este ao trono imperial no mesmo ano.

  O filho de Lucius Aelius, Lucius Verus, foi adoptado por Antoninus devido a compromisso assumido por este ao imperador Hadrianus.



6.7.07

Panteão, Roma

  Tal como o nome o sugere, o Panteão de Roma foi dedicado a todos os deuses, ou, mais especificamente, às divindades planetárias que, em número de sete, justificam os nichos com altares existentes no interior da cella.

  O edifício que actualmente se observa no Campo de Marte foi mandado erguer entre 118 e 128 pelo imperador Adriano que, segundo alguns autores, terá participado activamente na sua concepção. Substitui uma construção mais pequena, consagrada a Júpiter, construída por Marcus Agrippa em 27 a. C. que sofrera um devastador incêndio.

  Exteriormente, este edifício é formado por um tambor cilíndrico liso de quarenta e quatro metros de diâmetro, sem decoração, que contém a cella do templo, coroada por uma cúpula de curvatura suave, rematada interiormente por uma série de degraus concêntricos. A entrada no templo é marcada por um profundo pórtico, solução tradicional para os templos romanos de planta rectangular. Originalmente este pronaus apresentava um envasamento alto ao qual se subia por largos degraus, no entanto, a subida do nível da praça soterrou este elemento arquitectónico. Para além de constituir um átrio que resolve a transição entre exterior e interior, este pórtico de três naves e oito colunas responde a uma vontade genuinamente romana de criação de uma fachada monumental.

  No entablamento desta fachada, coroada por um amplo frontão, Adriano mandou colocar uma inscrição de Agripa, aproveitada dos restos do edifício anterior.

  A parede do templo é articulada por oito nichos profundos, alternando a forma rectangular com a semicircular, cada um deles fechado por três colunas. Sobre este nível e separado por uma cornija ergue-se o tambor de suporte da cúpula, ritmado por aberturas rectangulares.

  A cúpula tinha um sentido eminentemente simbólico, representando a abóbada celeste. Na sua feitura foi utilizado o cimento romano (cuja receita exacta se perdeu até aos nossos dias).

  O revestimento das paredes e do pavimento em mármore colorido conservam-se tal como foram definidos pelos romanos. Também originais são os caixotões da cúpula, embora tenha desaparecido a camada dourada que a recobria.

  Nos inícios do século VII (em 609), o edifício foi consagrado como igreja, nesta altura os grandes nichos laterais foram redecorados, recebendo imagens cristãs.

10.6.07

O Tabuleiro

  Este tabuleiro foi descoberto nas escavações em Corbridge, Northumberland.

 


  Dados: os Romanos conheciam duas variedades. os autênticos dados, "tesserae" e os astrálagos (tali), feitos com os ossos do calcanhar de ovelhas, vitelos ou outros animais, ou com a sua reprodução em metal.

 A lei romana só permitia a prática de jogos de azar durante as Saturnais, mas apesar disso, foram muitos os que se arruinaram por causa destes dados...




  Na imagem os autênticos dados, "tesserae" e os astrálagos (tali).



... E pensar que Ontem assim como Hoje, os soldados jogavam aos dados nos intervalos das batalhas. Fiz isso muitas vezes em Cabinda em tempos de guerra.

12.5.07

Adriano

HADRIANUS
(Pvblivs Aelivs Hadrianvs)
Imperador - 117 a 138 d.C.

Adriano



  Imperador romano (76-138) de 117 a 138 nascido em Itálica (actual Espanha). Era sobrinho do imperador Trajano, seu tutor, a quem sucedeu. Hábil administrador, durante o seu reinado, foi um viajante incansável. Percorreu todo o império para examinar de perto as províncias e as reformas que necessitavam. Amante das letras e das artes, implementou uma profunda reforma na administração e em 131 editou um código de leis para ser aplicado em todo o império o Edito Perpétuo compilação judicial que rege o império até ao tempo de Justiniano. Abandonou as campanhas de Trajano na Mesopotâmia e adoptou uma política defensiva, fortificando as fronteiras do Império Romano. Na Inglaterra mandou construir em 112 o Muro de Adriano, que marcou durante séculos a fronteira entre a Inglaterra e a Escócia para a defender dos povos do norte.

  Inspirado na cultura grega, embelezou Roma e o império com monumentos, manda construir a Vila de Adriano, a ponte de Sant’Ângelo, o castelo do mesmo nome (que é o seu mausoléu).

  Construiu sobre as ruínas de Jerusalém a Elia Capitolina provocando a revolta judaica, sufocada em sangue.

  Adriano também era poeta e dele fica este poema:

Animula vagula, blandula

Animula vagula, blandula,
Hospes comesque corporis,
Quae nunc abibis in loca
Pallidula, rigida, nudula,
Nec, ut soles, dabis iocos?


P. Aelius Adrianus, Imp.

Ó alminha vagabunda e folgazã,
hóspede e companheira do corpo,
onde irás agora,
pálida, fria, nua,
privada dos costumados passatempos?


Muralha de Adriano

  Ocupada a Bretanha (no século I d.C.), logo sentiram os Romanos o carácter aguerrido e belicoso dos Pictos e Escotos do Norte da ilha. Na sua política de consolidação e defesa das fronteiras, o Imperador Adriano visitou a ilha em 122 e mandou construir um muro fortificado desde Solway Firth até ao estuário do rio Tyne, para defender a Bretanha Romanizada.

  Com 120 km de comprimento, esta enorme obra foi concluída em 126 pelos próprios soldados, que construíam e combatiam simultaneamente. Originalmente era de madeira e terra, só se tornando de pedra mais tarde. Cada "centúria" era obrigada a construir a sua parte do muro. Este tem uma fundação de terra ladeada por um vallum (fosso) de 4 m de profundidade. Sobre a terra, levantaram, assim, um muro em pedra, maciço, com cerca de 5 m de altura e 2,5 m de largura. Sobre ele seguia uma estrada militar, no sentido de facilitar as comunicações e os transportes, e 80 castelos com pequenas torres e fortins, onde se encontravam sentinelas. Ao longo do muro erguiam-se 17 fortalezas (o forte de Chesters, Northumberland, hoje em ruínas, era uma delas), o que completava o sistema de fortificação fronteiriça do Norte da Britannia.

  A distância entre as rodas deixados pelos sulcos dos carros romanos na entrada do forte em Housesteads no muro de Adriano, serviram dois mil anos depois, de bitola-padrão, para os caminhos-de-ferro britânicos Ver Aqui.

  Com o Imperador Antonino foi construído uma outra muralha 50 km a norte da 1ª - a Muralha de Adriano.

Em baixo, foto das ruínas do Muralha de Adriano e da placa alusiva, em Vindolande.
 




12.4.07

Ponte de Trajano

 Erguida em sólido e duro granito transmontano, a antiga Ponte de Trajano, sobre o leito do Rio Tâmega, ligava ambas as margens da importante civitas romana de Aquae Flaviae, correspondente à moderna cidade de Chaves. Esta ponte romana foi uma importante obra de engenharia do eixo viário que estabelecia a ligação entre Bracara Augusta (Braga) e a cidade espanhola de Astorga.

 Com um comprimento total do tabuleiro alcançando os 140 metros, os parapeitos em pedra que o resguardavam foram desmantelados e substituídos por grades de ferro no ano de 1880. A ponte flaviense de Trajano é formada por 16 arcos concêntricos, dos quais quatro se encontram soterrados por construções e sucessivas camadas de aluvião. Estruturalmente, os arcos de volta inteira que enformam a ponte são compostos por robustas aduelas alongadas, magnificamente talhadas e aparelhadas. Os arcos alternam com olhais, sendo os pilares da arcaria amparados por pontiagudos e fortes talha-mares. A jusante, estes pilares não são reforçados pelos usuais contrafortes.

 No centro da ponte, em ambos os lados, erguem-se os sólidos marcos-colunas, contendo importantes inscrições epigráficas comemorativas. Este par de marcos-colunas foi deslocado do seu lugar original, devido à construção de casas sobre a margem direita da ponte.

  A inscrição que se situa a montante informa que a ponte foi concebida na época do imperador Trajano (finais do século I, inícios do século II d.C.) com o esforço económico dos habitantes de Chaves.

 A jusante do resguardo da ponte destaca-se o outro marco-coluna, podendo-se ler neste uma extensa inscrição epigráfica latina, que invoca uma avultada obra pública (não identificada com segurança) realizada em cooperação entre os soldados romanos da 7.a Legião, os habitantes flavienses e mais nove povos circunvizinhos.


1.3.07

Trajano

DINASTIA DOS ANTONINUS
(98 a 192 d.C.)



TRAJANUS
(Marcvs Vlpivs Traianvs)
Imperador - 98 a 117 d.C.

Trajano



  Foi o primeiro imperador romano que não nasceu em Itália. Trajano nasceu no ano 53, na Itálica (actual Espanha), e morreu em 117, em Selinunte, na actual Turquia. Descendente de uma família espanhola, foi excelente general e meticuloso administrador. Duma disciplina rígida, afirmava que todos os imperadores deviam ser como ele: «simples cidadãos».

Foi o único conquistador da sua dinastia. Na sua época as fronteiras atingiram o máximo. O seu reinado (98-117) foi marcado pelo alargamento das fronteiras do império a Este, com a conquista da Dácia (o nome de România e a sua língua afirmam, ainda hoje, a sua colonização na Dácia), da Arábia, da Arménia e da Mesopotâmia, e pela implementação de um vasto programa de obras públicas que visava, entre outros objectivos, o melhoramento das condições de saúde. Mandou construir o fórum de Trajano e a Coluna de Trajano etc. Moveu a terceira perseguição contra os cristãos.

  Sucedeu-lhe Adriano, seu sobrinho e protegido.

Coluna de Trajano

  Este famoso monumento de Roma foi uma contribuição do Senado ao Forum de Trajano. Foi construído em 113 d.C. pelo arquitecto Apolodoro de Damasco e o que torna esta Coluna tão especial são os seus relevos que retratam as campanhas de Trajano na Dácia (actual Roménia) que levariam à sua anexação em 106 d.C. A Coluna tem cerca de 30 metros de altura e inicialmente continha uma estátua de Trajano, que viria a ser substituída por outra de São Pedro durante a Renascença.


 
Pormenores da Coluna de Trajano


Fórum

4.2.07

Nerva

  A Domitianus sucedeu-lhe Nerva, proclamado pelo senado. Governou apenas dois anos. Seguiu-se-lhe uma série de imperadores «adoptivos», iniciando a excelente dinastia dos Antoninus.
.


ELEITO PELO SENADO (PROVISÓRIO)
(96 a 98 d.C.)



NERVA
(Marcvs Cocceivs Nerva)
Imperador - 96 a 98 d.C.

Nerva



  Marcus Cocceius Nerva nasceu em 8 de Novembro do ano 30 DC, em Narnia, cerca de50 km de Roma. A família de Nerva era rica, e os seus antepassados ocuparam cargos importantes (o bisavô havia sido cônsul em 36 AC, e o seu avô fora um conselheiro do Imperador Tibério). Só mais uma curiosidade, a mãe de Nerva era bisneta do Imperador Tibério.

  O jovem Nerva seguiu as pisadas do avô e bisavô, ocupando vários cargos imperiais, ganhando assim experiência, já nessa altura se notava o talento de Nerva para a política. Em 65 DC recebe honras especiais de Nero por ter descoberto a conspiração de Piso, para o assassinar, e em 71 DC foi apontado para cônsul pelo Imperador Nero. Em 90 DC é novamente apontado para cônsul desta vez pelo Imperador Domiciano, embora hajam rumores de que Domiciano fora abusado sexualmente por Nerva, na sua juventude, conforme é dito pelo Historiador Seutónio, mas como não há provas, temos de declarar Nerva inocente. Talvez um dia se ache algum documento que absolva ou culpe Nerva.

  Como Claudio, (que fora obrigado a ser imperador pelos pretorianos aquando do assassinato do Imperador Calígula), Nerva era um imperador relutante, alinhando mais com os conspiradores que mataram o paranóico Domiciano, mais para salvar a sua vida, do que por ambição (Domiciano estava sempre a condenar alguém à morte por traição). Assim em 18 de Setembro de 96 DC, toda a sociedade respira de alívio, cansada da tirania de Domiciano, e o Senado proclama Nerva Imperador no próprio dia! Nas ruas de Roma existe um misto de alegria e fúria: alegria pois o tirano Domiciano é morto e fúria pois as suas estátuas são destruídas e a sua rede de espiões desmontada, havendo mesmo espiões que são mortos. No entanto Nerva tem 66 anos, sendo um homem velho, e a esperança média de vida no tempo dos Romanos era mais baixa do que agora, pelo que o Imperador tem tendência a vomitar a comida e a ficar doente frequentemente. Não deixou de ser porém um governante generoso e amigável, com uma enorme popularidade tanto pelo povo Romano, como pelo Senado, pelo que recebe logo no principio do seu reinado o titulo de pater patriae (pai da pátria), que outros imperadores tiveram de esperar anos para receber. No entanto a redescoberta da liberdade pelos Romanos trouxe problemas a Nerva: é que se no reinado de Domiciano ninguém poderia fazer nada, com Nerva podia-se fazer o que se quisesse, pelo que era difícil para o idoso imperador manter a ordem.

  As políticas de Nerva foram feitas para manter elevada a sua popularidade, mas são sem dúvidas boas políticas: mandou restaurar aquedutos, fez um juramento público em que jamais executaria um senador, e mantendo-se fiel à sua palavra, não executou o senador Calpurnius Crassus, que havia conspirado contra ele, e distribuiu terra aos pobres. Para que estas medidas fossem possíveis usou muito da sua riqueza. Se bem que Nerva era popular entre o povo e o Senado, o exército não esquecia Domiciano, que havia dado o primeiro aumento de ordenado, desde Augusto. Aliás a crise entre Nerva e o exército atingiram o auge no Verão de 97 DC. O Imperador cometeu o erro de substituir Secundus e Norbanus, comandantes da Guarda Pretoriana (que haviam tido um papel fundamental no assassinato de Domiciano) por Casperius Aelianus (um apoiante de Domiciano). E assim a Guarda Pretoriana sob as ordens do seu novo líder marchou contra o Imperador, que ficou aprisionado no seu palácio, sendo-lhe exigido que lhes fossem entregues Secundus, Petronius e Parthenius devido ao seu envolvimento na morte de Domiciano. Nerva resistiu com coragem e bravura, chegando até a por o seu pescoço à frente de uma espada de um pretoriano dizendo que a única forma de conseguirem as pessoas que queriam executar era matá-lo. Como é óbvio o pretoriano não matou Nerva, mas estes acabaram por conseguir o que queriam.

  Petronius teve a morte mais misericordiosa, sendo decapitado com um único golpe de espada, mas a Parthenius foram-lhe arrancados os genitais e então decapitado. Como se isso não fosse o suficiente os pretorianos obrigaram Nerva a agradecer-lhes em público por terem feito estas execuções. Apesar desta humilhação, Nerva conservava o poder, mas ele sabia que um imperador que não contasse com o apoio do exército não iria ter um longo reinado. Mais do que tudo, Nerva era um grande político e se ele morresse deixaria o trono vazio. Decidiu portanto adoptar um herdeiro, e para manter a sua posição devia ser um herdeiro popular. Escolheu assim o governador da Germânia, Trajano. O então Governador da Germânia gozava de um enorme respeito pelo Senado e pelo exército. Foi uma jogada de mestre, nunca mais ninguém desafiou Nerva. A adopção deu-se no final de Outubro de 97 DC, no Capitólio.

  Nerva morreu em 28 de Janeiro de 98 DC devido a uma febre, após um breve reino de apenas 16 meses. Como sinal de respeito os seus restos mortais foram colocados no Mausoléu de Augusto, ao lado dos imperadores Julius-Claudianus. Parece até, que os deuses ficaram tristes com a sua morte, pois no dia do seu enterro houve um eclipse do Sol.

18.1.07

As Arenas

Arena de Arles

  As Arenas de Arles e Nimes são os dois exemplares de arenas do mundo romano que chegaram até nós em melhor estado de conservação. A arena de Arles poderá datar da época de Augusto. Aquando da ocupação árabe foi transformada em fortaleza, subsistindo ainda quatro torres.

A de Nimes é uma das que se inspiram no Anfiteatro de Flávio em Roma (Coliseu). É possível estabelecer uma ligação entre os dois edifícios, ambos erigidos durante a segunda metade do século I a.C., pela sua estrutura exterior e pelo aparelho de grandes dimensões.



Anfiteatro de Verona



 Embora já pouco reste da parte superior do anfiteatro de Verona (Itália) ele é considerado o exemplar mais bem preservado do mundo, ainda utilizado em produções operáticas anuais. A sua fachada, em três níveis de galerias, imita a do Coliseu ou Anfiteatro de Flávio em Roma, bem como as combinações de pórticos e escadarias, incluindo-se no período de grandeza que caracteriza a época de Augusto e dos Flávios. Servia de palco para a realização de lutas entre gladiadores (munera) e feras (venationes), entretenimento muito apreciado pelos romanos e que fazia parte integrante da sua cultura.

  Datado de 290 d. C., é um exemplar característico deste tipo de arquitectura romana, de planta circular com o espaço central aberto (arena), onde decorriam as lutas. Está separado da parte reservada ao público (cavea) por um muro alto (podium) que protegia os assistentes de eventuais ataques das feras. Estas eram libertadas do subterrâneo da arena (fossa bestiaria) enquanto os gladiadores e os condenados saíam por portas do podium. Numa fase inicial, este anfiteatro estava preparado para a realização de naumaquias – combate naval simulado, entre os Romanos; como demonstra a profundidade das galerias da arena.


28.12.06

Os Jogos Circenses

 As diversões de que dispunham os Romanos de todas as classes eram cada vez mais elaboradas. Em Abril, cerca de 250 000 pessoas iam ao Circo Máximo para ver corridas de cavalos e de carros – que tinham a sua origem nos rituais oferecidos a Ceres, deusa dos cereais, mas esquecidos nos tempos imperiais. Mas as emoções destas perigosas competições eram ultrapassadas pelas sangrentas batalhas no Coliseu, onde homens lutavam com animais selvagens (e cada vez mais exóticos), em venationes (caçadas), ou pelas lutas de gladiadores. O retiarius, com a sua rede e tridente, e o secutor (perseguidor), com um escudo e uma espada; o desarmado mas ágil mirmilo; o hoplomacus com um escudo gigante; o laquearius com o laço; Os Trácios armados, ao estilo da Trácia, com espadas pequenas, como foices – os tipos standard de gladiadores recordavam os inimigos da antiga Roma, agora dominados e lançados uns contra os outros na arena, para entretenimento dos seus conquistadores.

  Muitos gladiadores eram profissionais (há mesmo o caso de cidadãos das classes altas que escolheram voluntariamente essa carreira, talvez devido à excitação que lhe estava associada), mas também os criminosos eram por vezes condenados ao papel de gladiadores como forma de punição. Para muitos gladiadores, a carreira era uma pena de morte: poucos sobreviveram para se reformarem e tornarem-se treinadores.

 Os Romanos parecem ter tido uma sede insaciável pelo espectáculo, despendendo enormes somas de dinheiro e engenho em efeitos especiais e organização de espectáculos. Num espectáculo no reinado de Sétimo Severo no início do século III, um enorme modelo de uma baleia era arrastado pela arena e abria a boca para lançar 50 ursos contra um grupo de bestiarii (caçadores), armados de pequenas espadas os naumachiae eram acontecimentos realizados em estádios especiais, com aquedutos construídos propositadamente e drenagem, que permitia que as arenas fossem inundadas ou secas quando se quisesse. Estes acontecimentos, cujos custos de produção não foram igualados até que Hollywood os recriou, tinham a forma de batalhas navais em que os intervenientes eram criminosos – com real derramamento de sangue. Estes espectáculos mostram os Romanos no seu melhor e no seu pior, tanto nos sucessos tecnológicos como na crueldade.

  Nas suas origens de ritual sagrado, oferecer sangue apaziguava os espíritos dos mortos e as lutas de gladiadores tornaram-se uma afirmação da superioridade romana sobre os seus inimigos bárbaros – e por fim uma gratificação profana dos gostos mais sanguinários dos romanos civilizados.


Roma Antiga

20.11.06

Coliseu de Roma

  Grande anfiteatro oval romano que foi mandado construir por Flávio Vespasiano, por volta do ano 70 a.C., e foi concluído, com três andares, em 82 a. C. por Domiciano. No século III foi-lhe acrescentado mais um andar. Com uma altura de 48 m, as bancadas eram de mármore (entretanto desaparecido) e tinham capacidade para mais de 50 000 espectadores.



  Várias centenas de gladiadores e milhares de animais foram mortos nos 100 dias de festivais de banhos de sangue que marcaram a inauguração. A sua única preocupação era o grito lançado ao poder público: «panem et circenses» (pão e circo). Á medida que o império crescia, cresceu a duração e a frequência dos espectáculos sangrentos. O anfiteatro tinha um labirinto de celas e túneis para os gladiadores e animais. Haviam portas falsas onde podiam sair animais ferozes, rampas e manivelas para proporcionar espectaculares efeitos visuais.

  Foi com Cláudio, que a celebre frase dos gladiadores apareceu: Ave César. Nós que vamos morrer te saudamos.

  O recinto destinava-se, também, à representação de tragédias e comédias. Foi aqui que muitos cristãos perderam a vida, lançados às feras. Neste espaço colossal, chegaram mesmo a realizar-se batalhas navais.



22.10.06

Domitianus

DOMITIANUS
(Titvs Flavivs Domitianvs)
Imperador - 81 a 96 d.C.

Domiciano



 Titus Flauuius Domitianus, terceiro imperador da dinastia Flávia, terá nascido, segundo testemunha Suetónio, no nono dia antes das calendas de Novembro, ou seja, a 24 de Outubro do ano 51.

 Filho de Vespasianus, foi designado imperador após a morte do irmão mais velho, Titus, em 81.

 Cometeu vários abusos enquanto seu pai foi imperador, entre os quais dois se destacam: forçou a legítima esposa de Elius Lamia, de nome Domícia Longina, a se divorciar para a tornar sua, com quem teve um filho (73 d.C.), que morreu logo e preparou uma expedição militar que a todos pareceu desnecessária e que lhe valeu uma forte reprimenda de seu pai, que o castigou, humilhando-o perante o irmão, Tito.

 Quando Vespasiano morre e lhe sucede o filho Tito, começou a conspirar contra o irmão, ora aberta, ora secretamente, e depois da morte deste não deixou de ultrajar a sua memória por diversas vezes.

 Sua política interna caracterizou-se pela limitação dos poderes do Senado, tomando a seu cargo a designação de governadores competentes para as províncias, criou o Conselho do Príncipe que suplantou o Senado, acumulou os títulos de cônsul (cargo que ocupou de 82 a 88) e de censor perpétuo (a partir de 85). Reorganizou a administração do império e designou membros da nobreza rural para importantes cargos públicos.

 Procurou ainda moralizar os costumes (em contraste com a sua vida dissoluta), impondo severas penas aos delatores, castigando juízes que se deixavam subornar e aplicando a pena capital às Vestais que não cumpriam o dever da castidade.

 Empenhou-se na reconstrução de monumentos (onde fazia gravar o seu nome sem mencionar o do primitivo fundador), tendo iniciado o Forum Neruam, completado em 97 d. C. pelo Imperador Nerva. Era constituído por um corredor com uma colunata a acompanhar as laterais e, numa extremidade, o templo de Minerva. Foi conhecido como Forum Transitório por se situar entre o Forum da Paz, mandado construir pelo Imperador Vespasiano, em 70 d. C., e o Forum Augustum. Escavações feitas recentemente revelam a existência de lojas e tabernae.

 Erigiu templos e consagrou mesmo um santuário à família Flávia, a cuja gens pertencia. Mandou instalar celas subterrâneas para os animais selvagens no Colosseum, iniciado pelo seu pai e inaugurado pelo seu irmão Tito em 80 d.C..

 Chegou ainda a proibir que erigissem estátuas em seu nome no Capitólio que não fossem de ouro ou prata e que não tivessem um determinado peso.

 Domitianus obteve grandes vitórias no campo militar. Conquistou a Grã-Bretanha, construiu uma fronteira fortificada ao longo do Danúbio e firmou uma paz vantajosa com os dácios. Para financiar os gastos do exército e a construção de grandes obras, aumentou os impostos e promoveu confiscos de bens da aristocracia.

 Este período de governação, durou até à revolta de Lúcio António Saturnino, que conseguiu, em finais de 86, que algumas legiões o proclamassem imperador.

 Com um carácter fraco, tenta proteger a sua posição tornando-se cruel e sanguinário. Para além de todas as ordenadas mortes, expulsões e torturas, iniciou também um período de espoliações.

 Domiciano fazia-se chamar, tanto oralmente como por escrito, Dominus et Deus perseguindo todos aqueles que se recusavam a adorar a figura do imperador, originando assim a segunda perseguição contra os cristãos.

 Morre assassinado em 18 de Setembro do ano 96, vítima de uma conspiração palaciana que integrava alguns dos seus amigos e libertos mais próximos, e a sua própria mulher, Domitia Longina.

 O Senado, horrorizado com tantos crimes, declara-o maldito e apaga o seu nome de todos os monumentos.

 A sua morte pôs termo à dinastia dos Flávios. Sem filhos, sucedeu-lhe Nerva, proclamado pelo senado. Governou apenas dois anos. Seguiu-se-lhe uma série de imperadores «adoptivos», iniciando a excelente dinastia dos Antoninos.

20.9.06

Pompeia e Herculano

 A erupção do Vesúvio em 79 d. C., no tempo do imperador Tito Vespasiano, foi desastrosa para as cidades de Pompeia e Herculano – dois prósperos aglomerados perto da Baía de Nápoles. Apanhados de surpresa os seus habitantes morreram devido aos gases vulcânicos ou imolados pelas cinzas que caíam do céu. Pompeia ficou sepultada pela lava do Vesúvio dando-nos a conhecer uma importante amostra da vida quotidiana no tempo dos antigos romanos. Ficaram intactas muito das suas ruas, casas e lojas. O mais surpreendente, são as formas mumificadas de homens, mulheres, crianças e animais desenterrados nesta cidade. Foram encontradas no interior das lojas tigelas que contêm os ganhos do dia, o que informa sobre o numerário que circulava nas transacções menores.

 Do ponto de vista arqueológico, são significativas as descobertas em Herculano. A lava que submergiu esta pequena cidade preservou não só os murais das luxuosas casas, de mercados, mas também toda outra espécie de objectos como madeira, peles, rolos de papiros e alimentos.

Pompeia
O último dia de Pompeia

29.8.06

Titus

Titus
(Titvs Flavivs Vespasianvs)
Imperador - 79 a 81 d.C.

Tito


 Tribuno militar (39/12/30-81/11/13), filho primogénito de Vespasianus. Foi educado na corte de Nero com Britannicus (talvez porque Claudius I aprovasse as proezas militares de seu pai na Bretanha), e tornou-se grande amigo do rapaz. Começou a sua carreira como tribuno militar na Germânia e a seguir na Bretanha. Mais tarde, depois de ter sido questor, é nomeado lugar-tenente do pai na Judeia, em 66.

 Em 69, o pai faz-se proclamar imperador pelos soldados. Titus termina a guerra da Judeia, conquistando Jerusalém de assalto, em 70. Trouxe o candelabro dos sete braços para Roma onde o esperava magnífico triunfo.

 Durante o reinado de Vespasianus, Titus participou do poder imperial, apesar das insinuações de que fora considerado sucessor de Vitelius em 69. Ocupou sete consulados e comandou a guarda pretoriana. Na tarefa de manter a segurança (pois o reinado de Vespasianus, apesar de consciencioso e eficiente, não esteve livre de distúrbios), Titus mostrou tanta arrogância que poderia ser descrito como cruel.

 A 24 de Julho de 79, Vespasianus, seu pai, morre. Sucede-lhe Titus, como imperador, mas o seu império foi efémero, pois morre a 13 de Novembro de 81. Foi cognominado «As delícias do género humano». Pensou casar-se com a rainha Berenice, mas é obrigado a renunciar a essa ideia para não enfrentar a opinião pública desfavorável; possuía também um extraordinário – quase sinistro – talento para imitar a letra de outras pessoas.

 Durante o seu reinado três calamidades ocorreram: um incêndio em Roma, uma terrível peste e a famosa erupção do Vesúvio que engoliu Pompeia, Herculano e Stabia, mas nem esses fatos diminuíram a reputação favorável que gozou durante e depois de seu reinado, e que poderia ter sido diferente se ele tivesse governado mais tempo. Entretanto, várias das histórias relatadas sobre ele revelam alguma preocupação com a moralidade; a mais enigmática é a observação, feita em seu leito de morte, de que se arrependia de apenas uma coisa que fizera em sua vida. O que quer que fosse, sua generosidade e bom senso em face das irritações e das intrigas, principalmente de seu irmão Domitianus, e as medidas úteis que tomou quando no poder (em especial contra os informantes) têm mais peso.

 Titus deu o seu nome a terras e ao arco que celebra o seu triunfo. A sua morte foi chorada por todos.

Sucedeu-lhe seu irmão Domitianus.


Detalhe do Arco de Tito, erigido em 71 d.C., que se encontra na Via-Sacra de Roma. Representa soldados romanos levando o sagrado candelabro do Templo de Jerusalém.

10.8.06

Vespasianus

DINASTIA DOS FLAVIUS
(69 a 96 d.C.)


VESPASIANUS
(Titvs Flavivs Vespasianvs)
Imperador - 69 a 79 d.C.

Vespasiano


 Imperador romano de seu nome completo Tito Flávio Sabino Vespasiano, nasceu perto de Rieti, na comarca dos Sabinos, no ano 9, falecendo em 79. Foi proclamado imperador pelos seus próprios soldados em Alexandria.

 Vespasiano foi o primeiro burguês que subiu a tão grande dignidade. Simples e laborioso, impôs a ordem em todo o exército. Promoveu a pacificação e o aumento do poder romano nas províncias, prosseguindo a conquista da Bretanha e combatendo a revolta judaica iniciada em 66, esmagada violentamente em 70, culminando com a destruição de Jerusalém por Tito, seu filho, a quem entregou o cargo de prefeito da Guarda Pretoriana e nomeou seu sucessor (78-81) conjuntamente com o irmão mais novo Domiciano (81-96).

 O período da sua governação ficou marcado por uma eficaz administração económica quer na capital do império quer nas províncias, com um aumento significativo do tributo anual e a implementação de medidas económicas muito mais severas, o que permitiu atingir níveis de progresso assinaláveis nas finanças do Estado, tendo inclusive angariado fundos para a construção do Templo da Paz dedicado a Júpiter Capitolino e para o Coliseu de Roma.

 Vespasiano reinou vinte anos. Quando se sentiu morrer, disse as seguintes palavras:
«Sinto tornar-me um deus».

 Sucedeu-lhe o filho Tito.

1.8.06

Vitellius

VITELLIUS
(Avlvs Vitellivs)
Imperador - 69 d.C.

Vitélio


 Aulus Vitellius Germanicus, reinou apenas oito meses, durante o ano dos quatro imperadores, mas ficou famoso pelo seu apetite e crueldade.

 Embora de importância recente, os Vitellius obtiveram enorme influência no tempo de Caligula e de Claudius I, graças à popularidade que Lucius Vitellius (pai de Vitélio) gozava junto a esses imperadores.

 Aulus Vitellius ocupou uma série de postos, em que revelou sua tendência para o vício e a desonestidade. Titus Vinius e Aulus Caecina Alienus (generais Romanos), persuadiram-no a expulsar Galba com o auxílio dos exércitos do Reno, que ele comandava em 69, mas, quando Vitellius chegou à Itália, Otho era seu oponente. A vitória foi obtida facilmente na batalha de Betríaco.

 Depois do suicídio de Otão, Vitélio, nascido no ano 15, foi aclamado imperador romano entre Abril e Dezembro de 69 em Colónia. Apesar da sua eleição ter sido aceite pelo Senado, as legiões sediadas nas províncias do Oriente Médio, Síria e Judéia tinham aclamado Vespasiano como seu imperador.

Com o reconhecimento garantido, Vitélio foi para Roma. O início de seu império não foi um bom presságio. A cidade ficou muito céptica quando Vitélio escolheu o aniversário da Batalha de Allia (um dia de má sorte para a mente supersticiosa romana) para tomar posse do cargo de Pontifex Maximus. Como imperador, Vitellius entregou-se à glutonaria, começou uma série de banquetes (Suetónio refere-se a três por dia: manhã, tarde e noite) e paradas triunfais que levaram o tesouro imperial à falência.

 Os credores começaram a exigir o pagamento e Vitélio mostrou a sua natureza violenta ao mandar torturar e executar aqueles que ousassem fazer tais exigências. Não conseguiu lidar adequadamente com o exército que o levara ao trono e tomou a iniciativa de matar os cidadãos que o nomeavam herdeiro, e os possíveis co-herdeiros. Para completar, perseguiu cada rival possível, convidando-os para o palácio com promessas de poder apenas para matá-los.

Os progressos espectaculares dos Flavius fizeram com que ele pensasse num acordo, mas a lealdade do populacho romano fê-lo mudar de ideia, e ele condenou Roma aos horrores de uma luta durante a qual o Capitólio, incluindo o próprio templo do deus Júpiter, foram incendiados.

 Em Outubro, na segunda batalha de Betríaco, os partidários de Vitélio são vencidos pelas tropas dos Flavius, comandadas por Antonius Primus, embora pagassem um alto preço, inclusive com a morte de Sabinus, irmão de Vespasianus. Vitellius é deposto, torturado e morto pelas tropas dos Flavius, sendo o seu corpo atirado ao rio Tibre.

 Sucedeu-lhe Vespasianus

19.7.06

Otho

OTHO
(Marcvs Salvivs Otho)
Imperador – 69 d.C.

Otão


 De seu nome completo Marco Sálvio Otão, nasceu em 32 de uma família ilustre, senadores do tempo de Augusto – seu pai merecera grandes elogios e fora promovido por Cláudio I por descobrir uma conspiração. Otão tornou-se amigo íntimo de Nero, participando de sua vida desregrada; era marido de Poppaea antes de Nero casar-se com ela (Otão foi então enviado como governador para a província da Lusitânia).

 Tornou-se partidário de Galba, mas organizou uma conspiração que levou ao seu assassinato, quando este preferiu Lucius Calpurnius Pisanus Licinianus, um jovem Senador, para seu herdeiro. Otão subornou a Guarda Pretoriana, para que esta passasse para o seu lado. Quando Galba soube do golpe foi às ruas numa tentativa de normalizar a situação. Acabou por ser um erro, pois não conseguiu convencer ninguém. Pouco depois, Galba foi morto pela Guarda pretoriana no Fórum.

 Após o assassinato de Galba, Otão foi proclamado imperador pelos Pretorianos em 69, com a idade de 36, sendo aceite pelo Senado. O novo imperador foi saudado com alívio. Apesar de ser ambicioso e ganancioso, Otão não tinha um passado de tirania ou crueldade e era esperado como um governante justo.

  Uma vez imperador, Otão parecia determinado a superar Nero, mas o avanço do exército do Reno contra a Itália, sob o comando de Vitélio que tinha a seu favor as melhores legiões de elite do império, compostas de veteranos das Guerras Germânicas, como a Legião Germânica I e Legião Predadora XXI(I Germânica e XXI Rapax), deixou-lhe pouco tempo.

 Otão não estava afim de começar outra guerra civil e mandou emissários para propor a paz e convidou Vitélio para ser seu genro mas já era tarde. Os generais de Vitélio já haviam mandado metade do seu exército para a Itália. Depois de uma série de derrotas menores, Otão foi derrotado na Batalha de Bedriacum na Planície da Lombardia, nas proximidades de Cremona em 14 de Abril do mesmo ano.

 Em vez de fugir e tentar um contra-ataque, Otão suicida-se no dia seguinte, com uma coragem e uma dignidade espantosas numa pessoa tão desregrada, provavelmente para poupar a vida da sua família. Tinha sido imperador pouco mais de três meses.

 Vitélio é proclamado imperador.


7.7.06

Crise de 68-69 - Galba

  Segue-se um período de revolta em todo o império. Galba, aclamado pelas legiões de Espanha é assassinado. Otão é derrotado pelo exército do Reno que elege Vitélio. Por sua vez as legiões do oriente escolhem para imperador Vespasiano que inicia a dinastia dos Flávios.

GALBA
(Servivs Svlpicivs Galba)
Imperador - 68 a 69 d.C.


  Cláudio e Nero tinham sido eleitos pelos pretorianos. As legiões exigiam igual direito e aclamavam os seus favoritos. As legiões de Espanha aclamam Galba, reconhecido pelo senado.

  De seu nome completo Sérvio Sulpício Galba, nasceu no ano 3 a.C. Foi imperador romano entre Junho de 68 e Janeiro de 69, sendo um dos quatro imperadores, conjuntamente com Otão, Vitélio e Vespasiano, que durante um ano sucederam a Nero no trono romano.

  Durante a vigência governativa dos imperadores Tibério, Calígula, Cláudio e Nero, distinguiu-se como governador da Gália no ano de 39, da África em 45 e 46 e da parte Terraconense de Espanha em 61 e 68.

  A carreira brilhante que desenvolvera dera-lhe uma projecção assinalável, mas a idade avançada de 73 anos e a doença da gota, que o atormentava, forneceram razões para Otão, ex-marido de Pompeia e seu principal lugar-tenente, acabar por ver facilitada a sua introdução no espaço real.

  O seu governo ficou caracterizado por uma imagem geral de um severo comandante militar da escola tradicionalista, mostrou-se sobretudo avarento e duma dureza impopular.

  A 15 de Janeiro do ano de 69, Galba é assassinado e Otão é proclamado imperador pela Guarda Pretoriana.

25.5.06

Nero

NERO
(Lvcivs Domitvs Ahenobarbvs)
Imperador – 54 a 68 d.C.

Nero


  Lucius Domicius Aenobarbus, depois Nero Claudius Caesar Drusus Germanicus, era filho de Agripina, a Jovem e de Gneus Domitius Aenobarbus. Nasceu em Antium a 15 de Dezembro de 37 d. C., sendo adoptado por Cláudio em 50. Casou com Octávia, filha deste e de Messalina, em 53. Foi proclamado imperador quando Cláudio faleceu, a 13 de Outubro de 54 tinha Nero 16 anos de idade. Era então aluno de Séneca. A sua autoridade apoiava-se nos pretorianos do prefeito Burro.

 No início do seu reinado é favorável ao Senado. Porém, algumas tragédias palacianas (como o assassinato de Britânico, filho de Cláudio) auguram mau futuro.

 Enquanto seguiu os conselhos dos seus preceptores – Séneca e Burro – foi justo e moderado. Pervertido pela luxúria, tornou-se o monstro nº1 da história. Por três vezes tentou envenenar a sua mãe, Agripina sabendo-o, tomava um antídoto. Quando por fim conseguiu desenvencilhar-se dela em Março de 59 d.C., Nero viu-se assombrado pelo seu espírito, contratando exorcistas persas para convocar o seu espírito e pedir o seu perdão. Em 62 manda assassinar sua esposa Octávia, em 65 mata Poppaea, a sua segunda mulher, a pontapés quando estava grávida.



 Nero governa pessoalmente, cada vez mais afastado de Séneca. Assume, então, o aspecto de um soberano helenístico.

 Burro morre em 62. O novo prefeito do Pretório é Tigelino. Nessa altura, Nero inicia-se na religião mazdaísta e no culto do Rei-Sol.

 Em 64, um incêndio destruiu 3 quarteirões de Roma (construiu nesse local a célebre Domus Transitoria ou Casa Dourada, cujas salas eram recamadas a ouro e incrustadas de pedras preciosas) atribuído a um propósito premeditado de Nero.

 Em 65 eclodiu a Revolta de Pisão, na qual estava comprometida uma grande parte da aristocracia senatorial. A repressão é implacável, condenou à morte 18 acusados, entre os quais Séneca e o poeta Lucanus que foi forçado a cometer suicídio. Inicia a primeira perseguição contra os cristãos, fazendo-os responsáveis pelo incêndio.



 O imperador sentia um fascínio pelos dons dos actores e cantores e tentava fortalecer a sua voz para o palco deitando-se de costas com uma pedra pesada sobre o peito. Vaidoso de pretensos dotes artísticos e de cavalaria instituiu os jogos chamados Juvenália e Neronis, e exibia-se nos teatros e nos circos como Histrião.

 Em 66, Nero vai para a Grécia, onde participa nos Jogos onde prestáveis juizes lhe concederam a quantidade astronómica de 1108 prémios. No regresso da Grécia em 67 d.C., o imperador Nero desembarca em Nápoles e manda derrubar parte das muralhas da cidade para assinalar os seus feitos gloriosos. Depois seguiu para Roma e entrou na capital no mesmo carro que Augusto usara para celebrar as suas vitórias. O cortejo triunfal que preparou passava pelo circo Máximo – a ampla pista de corridas de Roma onde as aurigas disputavam a glória – atravessando depois o Fórum. Nero viu-se coberto de fitas e de outras provas de estima, sacrificando-se animais ao longo do seu percurso em honra da ocasião. Decorou os seus aposentos com as suas coroas de vitória e encomendou estátuas de si próprio, sentado enquanto tocava lira.

 No ano seguinte, teve de enfrentar várias sublevações, como a de Julius Vindex, governador da Gália lionesa (província de Lugdunum, Gália) e depois a de Galba, governador da Tarraconense, na Hispânia, e ainda a de Otão, na Lusitânia.

  Servius Sulpicius Galba, marcha sobre Roma onde foi reconhecido pelo Senado como novo imperador, Nero teria que se suicidar que era o que faziam os nobres na época. Sem coragem para o fazer pediu ao gladiador Espículo para que o matasse mas este nem ninguém queria ser o carrasco. Refugiou-se em casa do seu liberto Faon e quando soube que o Senado o tinha declarado inimigo público, o que implicava ser castigado à «moda antiga», ou seja nu e açoitado até à morte com varapaus, Nero, em 68 d.C. no mês de Junho, com a ajuda do seu secretário, enterrou um punhal na garganta.

  Disse Nero antes da sua morte que os seus inimigos iriam privar a sociedade de «um artista tão importante!». Acreditava que o teatro romano nunca veria outro como ele e de certo modo assim foi, mais nenhum imperador tocou lira ou cantou como Nero.

 A dinastia tão promissora iniciada por Augusto chegava ao fim.


9.5.06

Claudius I

CLAUDIUS I
(Tiberivs Clavdivs Drvsvs Germanicvs)
Imperador – 41 a 54 d.C.

Cláudio


  Foi o primeiro imperador (10 a.C.-54 d.C.) de 41 a 54 d.C. nomeado pelos pretorianos, quando o Senado pensava no estabelecimento da República.

 Tiberius Claudius Caesar Augustus Germanicus nasceu em Lugdunum (Lyon), e morreu em Roma. Filho de Nero Claudius Drusus e Antonia, era irmão mais jovem de Germanicus sucessor natural do trono, morto em circunstâncias estranhas (Voltando de Antioquia, Germanicus foi acometido de uma doença que se tornou fatal. O governador da Síria, Calpurnius Piso, que não mantinha boas relações com Germanicus, foi acusado de envenená-lo ou amaldiçoá-lo).

  Cláudio, era coxo e gago, durante a infância fora assolada por diversas doenças, que lhe enfraqueceram o corpo e lhe retardou a mente, considerado um tolo pela própria mãe - (Cláudio confessou que fingiu-se passar por retardado para passar despercebido a seu sobrinho, Calígula, sobrevivendo assim ao seu reinado de terror). No entanto, o soberano recomendava que lhe prestassem as homenagens devidas por ele pertencer à família Julia, descendente directo de César, e também para que não se rissem dele, devido ao seu aspecto de retardado e enfermo. A sua débil vontade foi moldada pelos seus libertos Palas e Narciso e pelas mulheres, tornando-se ridículo pelas suas maneiras esquisitas de tímido e covarde, como nos foi legado pelos historiadores Tacitus, Suetonius e Dion Cassius.

  Cláudio dedicou-se à literatura, escrevendo, além de uma história de Roma não terminada, 28 livros de história Etrusca e cartaginesa, uma autobiografia e um projecto de reforma ortográfica.
  O seu reinado foi marcado pela centralização do poder e pela conquista. Em 42 anexou a Mauritânia, no norte da África, e no ano de 53, a ilha da Bretanha. Anexou a seguir a Lícia, a Judeia e a Trácia e empreendeu a romanização das novas províncias. Fundou a «Colónia agripina» (hoje Colónia) nas fronteiras do Reno. Ordenou a execução de importantes obras públicas: solucionou os problemas de abastecimento de Roma, mediante a construção de novos aquedutos e de um porto em Óstia; aterrou o lago Fucino e melhorou as estradas.

  Como o povo queria «panem et circenses» (pão e circo), Cláudio organizou jogos e divertimentos restaurando antigos teatros, e reproduziu uma batalha naval entre as esquadras da Sicília e de Rodes, com 12 naus cada uma.

  Cláudio, tinha, como passatempo predilecto, ver criminosos serem torturados até à morte. Mandou assassinar a sua terceira mulher, Messalina e a 300 amigos desta, entre eles o famoso actor Mnester, e acabou por ser ele próprio vítima de assassinato (envenenado com cogumelos estragados) pela sua quarta esposa, Agripina II a Jovem, bisneta de Augusto, depois de haver adoptado o filho desta, Lucius Domitius (Nero) como seu sucessor.

À semelhança dos seus antecessores Claudius foi deificado após a morte, observando Nero, sarcasticamente, que os cogumelos eram o «alimento dos deuses».

  Foi com Cláudio, que a célebre frase dos gladiadores apareceu:

Ave Cesar. Nós que vamos morrer te saudamos.




Sucedeu-lhe Nero.