19.6.09

Pescennius Niger

PESCENNIUS NIGER
(Caivs Pescennivs Niger Ivstvs)
Imperador - 193 a 194 d.C. (foi proclamado imperador por suas tropas)

Pescénio Niger


Italiano de origem equestre, Caius Pescennius Niger Justus nasceu entre os anos 135 a 140 d.C. em Aquino. Granjeou renome militar, no início do reinado de Commudus, numa campanha contra os dácios. No ano 190 alcançou o consulado e em 191 tornou-se governador da Síria, no fim do reinado de Commudus, talvez porque não fosse considerado uma ameaça.

Em maio de 193, foi proclamado imperador por suas tropas em Antióquia, como pretendente rival de Didius Julianus. A base de seu poder ficava nas províncias do Oriente, que tinham Bizância como centro. No Verão de 193, Septimius Severus marchou contra ele, depois que ele foi declarado inimigo público pelo Senado. Pescennius foi derrotado depois de uma campanha de três grandes batalhas: Cízimo, Nicéia e Isso, e que terminou em Abril ou Maio de 194.

Após a última batalha, Pescennius fugiu para Antióquia, onde foi capturado por Anullinus, general de Septimius Severus, Pescennius foi preso nos arredores da cidade, quando tentava fugir. Sua cabeça foi cortada e enviada a Severus, em Bizâncio.

As moedas cunhadas em seu nome foram executadas na cidade de Antióquia.

4.5.09

Didius Julianus

DIDIUS JULIANUS
(Marcvs Didivs Severvs Ivlianvs)
Imperador - 193 d.C.

Dídio Juliano


  Marcus Didius Severus Julianus nasceu em Mediolanum (Milan), no fim do reinado de Hadrianus, filho de Quintus Petronius Didius Severus, uma importante família senatorial. Foi cônsul com Helvius Pertinax em 174 ou 175 d.C., e governou uma série de importantes províncias militares. Foi absolvido da acusação de envolvimento numa conspiração contra Commodus, e no começo da década de 190 governou a África.

  Quando Pertinax foi assassinado (28 de março de 193), Julianus estava a caminho de uma reunião do Senado, foi abordado por dois tribunos da guarda pretoriana, que insistiram com ele para que tomasse o poder e o levaram para o acampamento. Lá encontrou Flavius Sulpicianus, (tinha sido senador, cônsul, governador da Ásia e era sogro de Pertinax, em 197, Septimius Severus mandou matá-lo, sob a acusação de ter sido partidário de Clodius Albinus), que tentava ser proclamado imperador; os dois disputaram então o poder por meio de ofertas de donativos aos guardas. Julianus ganhou a disputa pagando vinte e cinco mil sestércios para cada homem, foi proclamado imperador e prometeu restaurar o bom-nome de Commodus.

  Seu reinado durou apenas sessenta e seis dias.

  Quando Septimius Severus invadiu Roma, Julianus foi forçado a defender a cidade, mas o Senado, instigado por mensagens de Severus, condenou-o à morte depois de depô-lo. Julianus foi assassinado no palácio, em 1 ou 2 de Junho, por um soldado comum. Sua mulher, Manlia Scantilla e sua filha Dídia Clara não sofreram qualquer dano, tendo recebido o corpo decapitado de Didius para o enterro.



Dídia Clara filha de Didius

4.3.09

Pertinax

Pertinax
(Pvblivs Helvivs Pertinax)
Imperador – 193 d.C..

Pertinax



  Publius Helvius Pertinax era filho de um liberto da Ligúria, e foi professor antes de iniciar uma tardia carreira nos serviços imperiais. Quando prefeito de uma coorte na Síria, parece que usou o transporte do governo sem autorização oficial, tendo sido forçado pelo governador a voltar a pé de Antióquia (sul da Turquia) até onde sua tropa estava estacionada.

  Depois de ocupar vários postos militares e administrativos, na década de 160 d.C., foi promovido ao Senado (corpo consultivo formado por ex-magistrados); foi comandante de uma legião, e depois governador da Mésia Superior. Foi cônsul em 174 (ou 175), esteve com Marcus Aurelius no Oriente depois da revolta de Avidius Cassius, e foi nomeado governador da Mésia Inferior, da Dácia (nas margens do Danúbio) e da Síria (para onde foi nomeado antes de 180).

  Por volta de 182, abandonou a vida pública por suas ligações com pretensos conspiradores contra Commodus, mas depois foi nomeado governador da Bretanha (185-187 d.C.).

  No verão de 188 d.C., tornou-se governador da África e voltou para Roma um ano depois, quando foi nomeado prefeito urbano (delegado do imperador). Pode ter-se envolvido com a conspiração contra Commodus, pois imediatamente após o assassinato (31 de dezembro de 192), Pertinax dirigiu-se secretamente ao campo da guarda pretoriana (estacionada em Roma), prometeu uma doação aos soldados e foi proclamado imperador. A proclamação foi aprovada entusiasticamente pelo Senado, e ele promoveu uma série de medidas populares como reacção aos excessos de Commodus. Mas, em 28 de Março de 193, um destacamento da guarda pretoriana iniciou uma nova conspiração, assassinou-o e a cabeça foi empalada num poste.

 Sucedeu-lhe Didius Julianus.

7.2.09

Ammaia


  Se em Torre da Palma, Marius para além das informações sobre as ruínas do amigo João Casqueira, as teve também do Sr. Francisco (?), guia do local, em Ammaia foi este meu amigo, conhecido através da net, que me prestou todas as informações sobre esta antiga cidade. Para ti João e esposa, aquele abraço!

  Marius já ouvira falar de Ammaia há muitos anos atrás. Não sendo historiador Marius (nick escolhido pelo facto de se chamar Mário e não por ser um estudioso da cultura romana) “vestiu” a pele romana e é vê-lo por esse Portugal sempre à procura das ruínas de um povo que não aguentou tão vasto Império e, como todos os Impérios, acabou um dia. Mas o legado ficou e mais uma vez Ammaia o comprova.

  Ammaia, situada na aldeia de São Salvador da Aramenha - Marvão, foi uma cidade importante no passado. Em 1995 começaram as intervenções arqueológicas. Pensa-se que esta cidade tem de área urbana mais de vinte hectares (1 km2 = 100 hectares).

  O amigo João chama-me a atenção para o desgaste da pedra à entrada da cidade pelo rodado das carroças, o que significa que Ammaia era um centro populacional muito concorrido.



  A malha urbana era rodeada de uma muralha, hoje restam pequenas amostras dessa imponência que, outrora, envolveu a cidade.



  Os vestígios arqueológicos estão situados na Quinta do Deão e na Tapada da Aramenha. No entanto muito há que escavar pois devido a um cataclismo nos séculos V e IX, a parte baixa da cidade foi soterrada e, como Pompeia e Herculano, ficou conservada pois à sua superfície não se desenvolveram outras urbanizações. Devido a isso, Ammaia foi abandonada e da cidade próspera hoje só restam as ruínas.

  Foram descobertas referências à época em que foi fundada a cidade. Não eram propriamente romanos os seus fundadores mas sim lusitanos romanizados pertencendo à tribo Quirina. No entanto a romanização faz-se através do Imperador Cláudio elevando a cidade por volta do ano 44/45 d.C. à categoria de Civitas. Depois passa a Municipium ainda durante o séc. I d.C., mas sem grandes alterações na administração já que a designação é mais honorífica que outra coisa.

  Como qualquer cidade romana, não podia faltar o “podium” de um Templo no Fórum, as termas públicas com tepidarium (tanque de água tépida) frigidarium (tanque de água fria) e estruturas domiciliares.



  Depois do abandono é o que se vê. Tudo o que se encontrava à superfície e era para levar foi levado. No Castelo de Marvão, de Castelo de Vide (tinha um arco - Arco da Aramenha, que unia as duas torres de uma das entradas de Ammaia, em 1710 este arco foi destruido. Assim se trata o património cultural neste país) e até numa vivenda junto à estrada Marius viu pórticos, colunatos e afins retirados de Ammaia. Na vivenda, o pedestal estava colocado por cima da entrada do portão, pintado, imagina-se, de branco. Fica lindo ali uma recordação de um povo que aqui esteve pintadinho de branco. Só visto!... Valham-me os deuses romanos!

  E, como não bastasse, a construção da E. N. n.º 359 dividiu a área em duas partes. Com as obras, uma natatium (piscina) que fazia parte do edifício termal foi danificada. Valeu-me a ajuda do João conhecedor destas andanças para continuar a visita para além da estrada.

  Muito há ainda para pôr a descoberto. O Museu está bem documentado, só que falta colocar à entrada do portão exterior uma placa com as horas e dias de visita. É que este encontrava-se fechado sem nenhuma indicação e se não fosse o facto de termos visto alguns visitantes no interior, não sabíamos que podíamos visitar Ammaia naquele dia. É que no dia anterior já lá tínhamos estado e ido embora pois não se via vivalma nem qualquer indicação de que bastava empurrar o portão para ter acesso à entrada destas ruínas.

Fotografia: Marius70 Fonte consultada: Fundação Cidade de Ammaia

6.10.08

O Império dos sentidos

  O Vaticano considerou as pinturas expostas no Museu de Nápoles, descobertas em Pompeia, de pornografia: Não interessa o que esses objectos significavam para os romanos; hoje eles são obscenos, e ponto final", vociferou um porta-voz da Santa Sé.

  Se calhar para assim considerar de obscenos este porta-voz da Santa Sé esteve horas na fila dos turistas para poder avaliar as obras como tal. Melhor seria que cumprisse os requisitos da Igreja de fazer o bem e distribuir um pouco da riqueza da Santa Sé para mitigar a fome de muita gente. A Igreja Católica Apostólica ROMANA bem pode agradecer ao povo romano e ao seu Imperador Constantino o facto da Igreja católica ter sido difundida por todo o mundo, Acabou o Império Romano de lutas e conquistas através, só, das armas e começou outro com a cruz de Cristo numa mão e a espada na outra.


  O que para nós hoje nos parece imoral, na Roma antiga não o era. Os romanos podiam aproveitar-se da intimidade das suas escravas e dos seus jovens escravos. As crianças adoptadas, que eram tratados como de filhos se tratassem, eram muitas vezes sujeitos a práticas homossexuais. As relações entre um adulto e um adolescente eram permitidas, mas nunca entre dois homens adultos, assim eram considerados os que já tivessem barba.

  No entanto, o acto sexual com a sua esposa era às escuras e o peito dela, coberto com que hoje chamado de sutiã, nunca era mostrado.

  Os romanos eram puritanos nesse aspecto mas adornavam as suas casas com pinturas e mosaicos com nus e motivos eróticos principalmente nos quartos.


  Um dos locais descobertos que demonstra bem o que era a vida sexual na Roma antiga foi em Pompeia. Quando o Vesúvio expeliu a lava em 24 de agosto do ano 79 d.C., que cobriu a cidade de pedras e de gases venenosos, muitos dos seus habitantes ficaram soterrados, assim como as suas habitações, em 6 metros de cinzas perto de 1,5 mil anos.

  Descoberta em 1763, Pompeia surge da lava em toda a sua magnitude. Construções públicas, padarias, lojas e residências emergiram das escavações com as estruturas intactas.

  No Império Romano, assim como na Grécia antiga, a prostituição não era proibida, sendo normalmente feita por escravas trazidas de outros lugares, mulheres gregas e orientais. Embora se saiba que nas tabernas havia locais destinados à prática sexual, nas ruínas de Pompeia foi encontrado um único bordel, na época designado por Lupanare – a palavra é derivada de lupaes, que eram as prostitutas que frequentavam os parques públicos e atraíam a atenção de seus clientes com uivos de lobo, composto por dez quartos, cinco em baixo e cinco em cima. Os do piso superior eram destinados a clientes ricos.

  As suas paredes, estavam ornamentadas com frescos eróticos cada um representando uma cena de sexo diferente. Pensa-se que cada um indicava qual o tipo de especialidade da pessoa que trabalhava naquele quarto.


  Os nomes de algumas das prostitutas e de seus clientes ainda estão visíveis, rabiscados nas paredes dos quartos.

  Os prostíbulos eram formados por uma série de quartos cuja mobília se resumia a apenas uma cama de pedra com um colchão em cima. Na entrada de cada um deles havia uma cortina, onde constavam o preço e a especialidade da prostituta. As profissionais – ou "lobas", como eram conhecidas na Antiguidade – aguardavam os clientes na porta, vestidas com uma toga curta e uma rede fina de fios dourados cobrindo os seios. O programa de Pompeia tinha preços populares. Nos bordéis mais ordinários era o equivalente a duas taças de vinho barato, nas boas casas frequentadas pela elite romana, o serviço subia para o equivalente ao valor de oito taças de vinho tinto.

  Um dos frescos mostra um cunnilingus. O fellatius e o cunnilingus não eram permitidos pela sociedade romana que considerava tal acto repugnante.


  O lesbianismo também era permitido na Roma antiga. Nos banhos públicos eram frequentes, o encontro de mulheres que, embora sendo casadas, recorriam às escravas “felatoras” para satisfazerem os seus desejos lésbicos.


Este fresco, que se encontra na entrada de uma casa de Pompeia (Casa dos Vettii), representa o deus da fertilidade (deus Priapo). Este apoia seu grande membro sobre um prato da balança que faz contrapeso com o outro prato com um saco de dinheiro.





Nas portas era comum encontrar um pénis esculpido em argila ou pintado em um fresco como símbolo da fertilidade (fortuna, sorte, riqueza).







Texto e fotos pesquisadas e retiradas da net.

25.8.08

Torre de Palma - Monforte

  Marius aceita o convite do seu amigo João Casqueira para visitar o Alto Alentejo onde nunca tinham estado. Além de visitas a várias vilas, cidade, castelos e desfrutar de uma magnífica paisagem da Serra de S. Mamede, que Marius fará referência no seu «Rumo ao Sul», fez parte do roteiro visitas às ruínas romanas de Torre de Palma (Monforte) e Ammaia (Marvão), as quais o meu anfitrião serviu de cicerone, dando a conhecer vários aspectos da vivência romana nos locais visitados.

Para ti João e esposa o meu agradecimento.


Ponte Romana – Monforte

  À saída de Monforte a caminho de Alter do Chão, uma ponte romana dá as boas vindas. Edificada entre os séculos II e IV d.C. em aparelho rusticado do tipo opus caementicium em cantaria e alvenaria de granito, esta ponte está classificada como Imóvel de Interesse Público. Como se pode ver pela foto, e porque aqui Marius caminhou, verifica-se que a ponte teve intervenção recente. O verde das margens tornam o local convidativo para um belo dia passado entre a natureza e a história.

Dizem que esta ponte pode não ser romana, mas é certo que está definida como tal, logo se a definem é porque é!



Torre de Palma

 Depois de atravessada a ponte, a 5km de Monforte aparece uma Herdade. No alto das suas Torres, ninhos de cegonhas.



 O ar de abandono parece total, mesmo assim marius aventura-se a lá ir. Abre um portão que chia nos seus gonzos, quando tenta entrar teias de aranha roçam-lhe a cara. Estavam desfeitas as dúvidas. Nada mais muge naquela herdade, o falar das suas gentes tinham-se calado para sempre. A meia dúzia de passos outras gentes de outros falares tinham-se calado há mais de 1600 anos atrás, os romanos.

 Em 1947, Joaquim Inocêncio lavrava um terreno agrícola no monte de Torre de Palma. O arado bateu num capitel e deixou a descoberto um mosaico de pedrinhas. Nesse mesmo local, a uns 50 cm de profundidade, encontrou um pavimento de pedrinhas coloridas com figuras («mosaico das musas»).


SCOPA ASPRA TESSELLAM LEDERE NOLI. VTERI FELIX

(“Não estragues o mosaico com uma vassoura demasiado áspera, boa sorte !”)

 O Mosaico das Musas encontra-se exposto no Museu Nacional de Arqueologia - Lisboa

 Assim foram encontradas as ruínas de uma VILLA RUSTICA onde uma decerta poderosa família Romana, os BASÍLII, cujo nome é conhecido através de uma inscrição encontrada no local, aí se fixaram.

 A VILLA desenvolve-se sobre uma suave colina, junto de um pequeno riacho, em torno de um vasto pátio interior, de forma trapezoidal. As amplas e sumptuosas instalações da VILLA ROMANA, ou residência dos proprietários, dispunham-se por sua vez em torno de um peristylium, pátio quadrangular com um alpendre assente em colunas que tinha um tanque ao meio, o impluvium, e era pavimentado com mosaicos diversos. A entrada principal fazia-se através do tablinum ou sala de recepção, onde se encontrava o célebre mosaico das Musas, daí se passando para o pátio.

 O guia foi dando explicações sobre os vários locais visitados. Para além dos mosaicos, havia um local que chamava a atenção. A norte da VILLA encontraram-se as ruínas da Basílica Paleo-Cristão com um baptisfério em forma de cruz, de Lorena, com dois lanços opostos de quatro degraus. Com dois locais distintos, um reservado ao baptismo dos adultos e outro a crianças já se via a influência católica sobre as ruínas romanas.

 


 As sepulturas em aberto, os canais que irrigavam as hortas, os lagares de azeite, de vinho, a forja, os armazéns, os celeiros, a habitação, os balneários Este e Oeste, os locais de culto, tudo isto ainda tratado pela rama pelo IPPAR, não há dinheiro para tudo muito menos para a cultura de um povo, faz com que estas ruínas ainda não estejam devidamente exploradas. Desde 1947 quando a charrua bateu no capitel até hoje, pouco foi adiantado. As intenções são muitas mas só a intenção não chega, há que fazer sentir que a história de Portugal não começou com o povo de D. Afonso Henriques, mas sim com os povos que, no antanho, percorreram os mesmos locais que Marius o está fazendo agora.

 Para além do agradecimento ao João, o meu agradecimento ao guia Sr. Francisco (penso que é este o seu nome), pelas explicações dadas acerca destas ruínas. Foi um belo momento passado na Torre da Palma, com pessoas que, sem serem historiadoras, deram o seu melhor e para um leigo como Marius o é em matéria de lagares, celeiros e afins foi como se o ontem fosse hoje pois ainda hoje há lagares a funcionarem como o no tempo dos romanos há dois mil anos atrás.
Fontes consultadas. IPPAR MNA C.M.Monforte
Fotografia: Marius70