1.8.06

Vitellius

VITELLIUS
(Avlvs Vitellivs)
Imperador - 69 d.C.

Vitélio


 Aulus Vitellius Germanicus, reinou apenas oito meses, durante o ano dos quatro imperadores, mas ficou famoso pelo seu apetite e crueldade.

 Embora de importância recente, os Vitellius obtiveram enorme influência no tempo de Caligula e de Claudius I, graças à popularidade que Lucius Vitellius (pai de Vitélio) gozava junto a esses imperadores.

 Aulus Vitellius ocupou uma série de postos, em que revelou sua tendência para o vício e a desonestidade. Titus Vinius e Aulus Caecina Alienus (generais Romanos), persuadiram-no a expulsar Galba com o auxílio dos exércitos do Reno, que ele comandava em 69, mas, quando Vitellius chegou à Itália, Otho era seu oponente. A vitória foi obtida facilmente na batalha de Betríaco.

 Depois do suicídio de Otão, Vitélio, nascido no ano 15, foi aclamado imperador romano entre Abril e Dezembro de 69 em Colónia. Apesar da sua eleição ter sido aceite pelo Senado, as legiões sediadas nas províncias do Oriente Médio, Síria e Judéia tinham aclamado Vespasiano como seu imperador.

Com o reconhecimento garantido, Vitélio foi para Roma. O início de seu império não foi um bom presságio. A cidade ficou muito céptica quando Vitélio escolheu o aniversário da Batalha de Allia (um dia de má sorte para a mente supersticiosa romana) para tomar posse do cargo de Pontifex Maximus. Como imperador, Vitellius entregou-se à glutonaria, começou uma série de banquetes (Suetónio refere-se a três por dia: manhã, tarde e noite) e paradas triunfais que levaram o tesouro imperial à falência.

 Os credores começaram a exigir o pagamento e Vitélio mostrou a sua natureza violenta ao mandar torturar e executar aqueles que ousassem fazer tais exigências. Não conseguiu lidar adequadamente com o exército que o levara ao trono e tomou a iniciativa de matar os cidadãos que o nomeavam herdeiro, e os possíveis co-herdeiros. Para completar, perseguiu cada rival possível, convidando-os para o palácio com promessas de poder apenas para matá-los.

Os progressos espectaculares dos Flavius fizeram com que ele pensasse num acordo, mas a lealdade do populacho romano fê-lo mudar de ideia, e ele condenou Roma aos horrores de uma luta durante a qual o Capitólio, incluindo o próprio templo do deus Júpiter, foram incendiados.

 Em Outubro, na segunda batalha de Betríaco, os partidários de Vitélio são vencidos pelas tropas dos Flavius, comandadas por Antonius Primus, embora pagassem um alto preço, inclusive com a morte de Sabinus, irmão de Vespasianus. Vitellius é deposto, torturado e morto pelas tropas dos Flavius, sendo o seu corpo atirado ao rio Tibre.

 Sucedeu-lhe Vespasianus

19.7.06

Otho

OTHO
(Marcvs Salvivs Otho)
Imperador – 69 d.C.

Otão


 De seu nome completo Marco Sálvio Otão, nasceu em 32 de uma família ilustre, senadores do tempo de Augusto – seu pai merecera grandes elogios e fora promovido por Cláudio I por descobrir uma conspiração. Otão tornou-se amigo íntimo de Nero, participando de sua vida desregrada; era marido de Poppaea antes de Nero casar-se com ela (Otão foi então enviado como governador para a província da Lusitânia).

 Tornou-se partidário de Galba, mas organizou uma conspiração que levou ao seu assassinato, quando este preferiu Lucius Calpurnius Pisanus Licinianus, um jovem Senador, para seu herdeiro. Otão subornou a Guarda Pretoriana, para que esta passasse para o seu lado. Quando Galba soube do golpe foi às ruas numa tentativa de normalizar a situação. Acabou por ser um erro, pois não conseguiu convencer ninguém. Pouco depois, Galba foi morto pela Guarda pretoriana no Fórum.

 Após o assassinato de Galba, Otão foi proclamado imperador pelos Pretorianos em 69, com a idade de 36, sendo aceite pelo Senado. O novo imperador foi saudado com alívio. Apesar de ser ambicioso e ganancioso, Otão não tinha um passado de tirania ou crueldade e era esperado como um governante justo.

  Uma vez imperador, Otão parecia determinado a superar Nero, mas o avanço do exército do Reno contra a Itália, sob o comando de Vitélio que tinha a seu favor as melhores legiões de elite do império, compostas de veteranos das Guerras Germânicas, como a Legião Germânica I e Legião Predadora XXI(I Germânica e XXI Rapax), deixou-lhe pouco tempo.

 Otão não estava afim de começar outra guerra civil e mandou emissários para propor a paz e convidou Vitélio para ser seu genro mas já era tarde. Os generais de Vitélio já haviam mandado metade do seu exército para a Itália. Depois de uma série de derrotas menores, Otão foi derrotado na Batalha de Bedriacum na Planície da Lombardia, nas proximidades de Cremona em 14 de Abril do mesmo ano.

 Em vez de fugir e tentar um contra-ataque, Otão suicida-se no dia seguinte, com uma coragem e uma dignidade espantosas numa pessoa tão desregrada, provavelmente para poupar a vida da sua família. Tinha sido imperador pouco mais de três meses.

 Vitélio é proclamado imperador.


7.7.06

Crise de 68-69 - Galba

  Segue-se um período de revolta em todo o império. Galba, aclamado pelas legiões de Espanha é assassinado. Otão é derrotado pelo exército do Reno que elege Vitélio. Por sua vez as legiões do oriente escolhem para imperador Vespasiano que inicia a dinastia dos Flávios.

GALBA
(Servivs Svlpicivs Galba)
Imperador - 68 a 69 d.C.


  Cláudio e Nero tinham sido eleitos pelos pretorianos. As legiões exigiam igual direito e aclamavam os seus favoritos. As legiões de Espanha aclamam Galba, reconhecido pelo senado.

  De seu nome completo Sérvio Sulpício Galba, nasceu no ano 3 a.C. Foi imperador romano entre Junho de 68 e Janeiro de 69, sendo um dos quatro imperadores, conjuntamente com Otão, Vitélio e Vespasiano, que durante um ano sucederam a Nero no trono romano.

  Durante a vigência governativa dos imperadores Tibério, Calígula, Cláudio e Nero, distinguiu-se como governador da Gália no ano de 39, da África em 45 e 46 e da parte Terraconense de Espanha em 61 e 68.

  A carreira brilhante que desenvolvera dera-lhe uma projecção assinalável, mas a idade avançada de 73 anos e a doença da gota, que o atormentava, forneceram razões para Otão, ex-marido de Pompeia e seu principal lugar-tenente, acabar por ver facilitada a sua introdução no espaço real.

  O seu governo ficou caracterizado por uma imagem geral de um severo comandante militar da escola tradicionalista, mostrou-se sobretudo avarento e duma dureza impopular.

  A 15 de Janeiro do ano de 69, Galba é assassinado e Otão é proclamado imperador pela Guarda Pretoriana.

25.5.06

Nero

NERO
(Lvcivs Domitvs Ahenobarbvs)
Imperador – 54 a 68 d.C.

Nero


  Lucius Domicius Aenobarbus, depois Nero Claudius Caesar Drusus Germanicus, era filho de Agripina, a Jovem e de Gneus Domitius Aenobarbus. Nasceu em Antium a 15 de Dezembro de 37 d. C., sendo adoptado por Cláudio em 50. Casou com Octávia, filha deste e de Messalina, em 53. Foi proclamado imperador quando Cláudio faleceu, a 13 de Outubro de 54 tinha Nero 16 anos de idade. Era então aluno de Séneca. A sua autoridade apoiava-se nos pretorianos do prefeito Burro.

 No início do seu reinado é favorável ao Senado. Porém, algumas tragédias palacianas (como o assassinato de Britânico, filho de Cláudio) auguram mau futuro.

 Enquanto seguiu os conselhos dos seus preceptores – Séneca e Burro – foi justo e moderado. Pervertido pela luxúria, tornou-se o monstro nº1 da história. Por três vezes tentou envenenar a sua mãe, Agripina sabendo-o, tomava um antídoto. Quando por fim conseguiu desenvencilhar-se dela em Março de 59 d.C., Nero viu-se assombrado pelo seu espírito, contratando exorcistas persas para convocar o seu espírito e pedir o seu perdão. Em 62 manda assassinar sua esposa Octávia, em 65 mata Poppaea, a sua segunda mulher, a pontapés quando estava grávida.



 Nero governa pessoalmente, cada vez mais afastado de Séneca. Assume, então, o aspecto de um soberano helenístico.

 Burro morre em 62. O novo prefeito do Pretório é Tigelino. Nessa altura, Nero inicia-se na religião mazdaísta e no culto do Rei-Sol.

 Em 64, um incêndio destruiu 3 quarteirões de Roma (construiu nesse local a célebre Domus Transitoria ou Casa Dourada, cujas salas eram recamadas a ouro e incrustadas de pedras preciosas) atribuído a um propósito premeditado de Nero.

 Em 65 eclodiu a Revolta de Pisão, na qual estava comprometida uma grande parte da aristocracia senatorial. A repressão é implacável, condenou à morte 18 acusados, entre os quais Séneca e o poeta Lucanus que foi forçado a cometer suicídio. Inicia a primeira perseguição contra os cristãos, fazendo-os responsáveis pelo incêndio.



 O imperador sentia um fascínio pelos dons dos actores e cantores e tentava fortalecer a sua voz para o palco deitando-se de costas com uma pedra pesada sobre o peito. Vaidoso de pretensos dotes artísticos e de cavalaria instituiu os jogos chamados Juvenália e Neronis, e exibia-se nos teatros e nos circos como Histrião.

 Em 66, Nero vai para a Grécia, onde participa nos Jogos onde prestáveis juizes lhe concederam a quantidade astronómica de 1108 prémios. No regresso da Grécia em 67 d.C., o imperador Nero desembarca em Nápoles e manda derrubar parte das muralhas da cidade para assinalar os seus feitos gloriosos. Depois seguiu para Roma e entrou na capital no mesmo carro que Augusto usara para celebrar as suas vitórias. O cortejo triunfal que preparou passava pelo circo Máximo – a ampla pista de corridas de Roma onde as aurigas disputavam a glória – atravessando depois o Fórum. Nero viu-se coberto de fitas e de outras provas de estima, sacrificando-se animais ao longo do seu percurso em honra da ocasião. Decorou os seus aposentos com as suas coroas de vitória e encomendou estátuas de si próprio, sentado enquanto tocava lira.

 No ano seguinte, teve de enfrentar várias sublevações, como a de Julius Vindex, governador da Gália lionesa (província de Lugdunum, Gália) e depois a de Galba, governador da Tarraconense, na Hispânia, e ainda a de Otão, na Lusitânia.

  Servius Sulpicius Galba, marcha sobre Roma onde foi reconhecido pelo Senado como novo imperador, Nero teria que se suicidar que era o que faziam os nobres na época. Sem coragem para o fazer pediu ao gladiador Espículo para que o matasse mas este nem ninguém queria ser o carrasco. Refugiou-se em casa do seu liberto Faon e quando soube que o Senado o tinha declarado inimigo público, o que implicava ser castigado à «moda antiga», ou seja nu e açoitado até à morte com varapaus, Nero, em 68 d.C. no mês de Junho, com a ajuda do seu secretário, enterrou um punhal na garganta.

  Disse Nero antes da sua morte que os seus inimigos iriam privar a sociedade de «um artista tão importante!». Acreditava que o teatro romano nunca veria outro como ele e de certo modo assim foi, mais nenhum imperador tocou lira ou cantou como Nero.

 A dinastia tão promissora iniciada por Augusto chegava ao fim.


9.5.06

Claudius I

CLAUDIUS I
(Tiberivs Clavdivs Drvsvs Germanicvs)
Imperador – 41 a 54 d.C.

Cláudio


  Foi o primeiro imperador (10 a.C.-54 d.C.) de 41 a 54 d.C. nomeado pelos pretorianos, quando o Senado pensava no estabelecimento da República.

 Tiberius Claudius Caesar Augustus Germanicus nasceu em Lugdunum (Lyon), e morreu em Roma. Filho de Nero Claudius Drusus e Antonia, era irmão mais jovem de Germanicus sucessor natural do trono, morto em circunstâncias estranhas (Voltando de Antioquia, Germanicus foi acometido de uma doença que se tornou fatal. O governador da Síria, Calpurnius Piso, que não mantinha boas relações com Germanicus, foi acusado de envenená-lo ou amaldiçoá-lo).

  Cláudio, era coxo e gago, durante a infância fora assolada por diversas doenças, que lhe enfraqueceram o corpo e lhe retardou a mente, considerado um tolo pela própria mãe - (Cláudio confessou que fingiu-se passar por retardado para passar despercebido a seu sobrinho, Calígula, sobrevivendo assim ao seu reinado de terror). No entanto, o soberano recomendava que lhe prestassem as homenagens devidas por ele pertencer à família Julia, descendente directo de César, e também para que não se rissem dele, devido ao seu aspecto de retardado e enfermo. A sua débil vontade foi moldada pelos seus libertos Palas e Narciso e pelas mulheres, tornando-se ridículo pelas suas maneiras esquisitas de tímido e covarde, como nos foi legado pelos historiadores Tacitus, Suetonius e Dion Cassius.

  Cláudio dedicou-se à literatura, escrevendo, além de uma história de Roma não terminada, 28 livros de história Etrusca e cartaginesa, uma autobiografia e um projecto de reforma ortográfica.
  O seu reinado foi marcado pela centralização do poder e pela conquista. Em 42 anexou a Mauritânia, no norte da África, e no ano de 53, a ilha da Bretanha. Anexou a seguir a Lícia, a Judeia e a Trácia e empreendeu a romanização das novas províncias. Fundou a «Colónia agripina» (hoje Colónia) nas fronteiras do Reno. Ordenou a execução de importantes obras públicas: solucionou os problemas de abastecimento de Roma, mediante a construção de novos aquedutos e de um porto em Óstia; aterrou o lago Fucino e melhorou as estradas.

  Como o povo queria «panem et circenses» (pão e circo), Cláudio organizou jogos e divertimentos restaurando antigos teatros, e reproduziu uma batalha naval entre as esquadras da Sicília e de Rodes, com 12 naus cada uma.

  Cláudio, tinha, como passatempo predilecto, ver criminosos serem torturados até à morte. Mandou assassinar a sua terceira mulher, Messalina e a 300 amigos desta, entre eles o famoso actor Mnester, e acabou por ser ele próprio vítima de assassinato (envenenado com cogumelos estragados) pela sua quarta esposa, Agripina II a Jovem, bisneta de Augusto, depois de haver adoptado o filho desta, Lucius Domitius (Nero) como seu sucessor.

À semelhança dos seus antecessores Claudius foi deificado após a morte, observando Nero, sarcasticamente, que os cogumelos eram o «alimento dos deuses».

  Foi com Cláudio, que a célebre frase dos gladiadores apareceu:

Ave Cesar. Nós que vamos morrer te saudamos.




Sucedeu-lhe Nero.

2.5.06

Calígula

CAIUS CALIGULA
(Caivs Ivlivs Caesar Germanicvs)
Imperador – 37 a 41 d.C.

Calígula


 Imperador romano (37-41), sucedeu a Tibério e foi um cruel tirano. Filho de Germanicus e de Agrippina I, Caligula nasceu em Anzio, no Lácio, em 31 de agosto do ano 12 d.C. Seu verdadeiro nome era Caius Julius Caesar Germanicus mas, porém, na sua infância, os soldados de seu pai o apelidaram de Calígula (botinha), como alusão às suas pequenas sandálias militares ou Caligae.

 O imperador Tiberius, seu tio-avô, adoptou-o como herdeiro; assim, à morte deste no ano 37, Caligula foi aclamado novo imperador romano pelo povo e pelo Senado. Tornou-se a princípio hábil administrador; exercendo uma política de acentuado tom demagógico, com medidas como a redução de impostos e amnistia geral, o que lhe granjeou alguma popularidade. Vítima de uma enfermidade que lhe afectou a mente, logo começou a cometer suas célebres extravagâncias elevando à dignidade de cônsul o seu cavalo «Incitatus» e resumiu numa só frase, todo o sentimento de crueldade: «desejaria que todo o império romano tivesse uma só cabeça para a decepar de um só golpe».

 Com Calígula, os gastos públicos descontrolaram-se; quando o erário estava quase exaurido, ordenou a execução, por diferentes motivos, dos romanos mais ricos para confiscar-lhes os bens. Obcecado pelo poder e pela religião do Egipto, considerou-se uma divindade, mandou colocar sua estátua em vários templos, entre eles o de Jerusalém, difundiu o culto egípcio da deusa Ísis e manteve relacionamento incestuoso com sua irmã Drusilla, no estilo da Dinastia dos Ptolomeus.

 Por volta do ano 40, Calígula realizou uma expedição à Germânia para sufocar uma rebelião do general Cornelius Lentulus Getulicus e outra à Gália, com o fito de conquistar a Bretanha. Anexou o reino da Mauritânia e, na Judéia, nomeou rei seu amigo Herodes Agrippa.

 Diversas conspirações, como a do senador Marcus Aemilius Lepidus, foram urdidas contra Calígula, que acabou por morrer assassinado em Roma a 24 de Janeiro do ano 41 pelo prefeito do pretório, Cássio Querea.

 Sucedeu-lhe Cláudio, imperador nomeado pelos pretorianos.


Agripina
Anverso de um sestércio Calígula
(perfil de sua mãe Agripina)