20.11.06

Coliseu de Roma

  Grande anfiteatro oval romano que foi mandado construir por Flávio Vespasiano, por volta do ano 70 a.C., e foi concluído, com três andares, em 82 a. C. por Domiciano. No século III foi-lhe acrescentado mais um andar. Com uma altura de 48 m, as bancadas eram de mármore (entretanto desaparecido) e tinham capacidade para mais de 50 000 espectadores.



  Várias centenas de gladiadores e milhares de animais foram mortos nos 100 dias de festivais de banhos de sangue que marcaram a inauguração. A sua única preocupação era o grito lançado ao poder público: «panem et circenses» (pão e circo). Á medida que o império crescia, cresceu a duração e a frequência dos espectáculos sangrentos. O anfiteatro tinha um labirinto de celas e túneis para os gladiadores e animais. Haviam portas falsas onde podiam sair animais ferozes, rampas e manivelas para proporcionar espectaculares efeitos visuais.

  Foi com Cláudio, que a celebre frase dos gladiadores apareceu: Ave César. Nós que vamos morrer te saudamos.

  O recinto destinava-se, também, à representação de tragédias e comédias. Foi aqui que muitos cristãos perderam a vida, lançados às feras. Neste espaço colossal, chegaram mesmo a realizar-se batalhas navais.



22.10.06

Domitianus

DOMITIANUS
(Titvs Flavivs Domitianvs)
Imperador - 81 a 96 d.C.

Domiciano



 Titus Flauuius Domitianus, terceiro imperador da dinastia Flávia, terá nascido, segundo testemunha Suetónio, no nono dia antes das calendas de Novembro, ou seja, a 24 de Outubro do ano 51.

 Filho de Vespasianus, foi designado imperador após a morte do irmão mais velho, Titus, em 81.

 Cometeu vários abusos enquanto seu pai foi imperador, entre os quais dois se destacam: forçou a legítima esposa de Elius Lamia, de nome Domícia Longina, a se divorciar para a tornar sua, com quem teve um filho (73 d.C.), que morreu logo e preparou uma expedição militar que a todos pareceu desnecessária e que lhe valeu uma forte reprimenda de seu pai, que o castigou, humilhando-o perante o irmão, Tito.

 Quando Vespasiano morre e lhe sucede o filho Tito, começou a conspirar contra o irmão, ora aberta, ora secretamente, e depois da morte deste não deixou de ultrajar a sua memória por diversas vezes.

 Sua política interna caracterizou-se pela limitação dos poderes do Senado, tomando a seu cargo a designação de governadores competentes para as províncias, criou o Conselho do Príncipe que suplantou o Senado, acumulou os títulos de cônsul (cargo que ocupou de 82 a 88) e de censor perpétuo (a partir de 85). Reorganizou a administração do império e designou membros da nobreza rural para importantes cargos públicos.

 Procurou ainda moralizar os costumes (em contraste com a sua vida dissoluta), impondo severas penas aos delatores, castigando juízes que se deixavam subornar e aplicando a pena capital às Vestais que não cumpriam o dever da castidade.

 Empenhou-se na reconstrução de monumentos (onde fazia gravar o seu nome sem mencionar o do primitivo fundador), tendo iniciado o Forum Neruam, completado em 97 d. C. pelo Imperador Nerva. Era constituído por um corredor com uma colunata a acompanhar as laterais e, numa extremidade, o templo de Minerva. Foi conhecido como Forum Transitório por se situar entre o Forum da Paz, mandado construir pelo Imperador Vespasiano, em 70 d. C., e o Forum Augustum. Escavações feitas recentemente revelam a existência de lojas e tabernae.

 Erigiu templos e consagrou mesmo um santuário à família Flávia, a cuja gens pertencia. Mandou instalar celas subterrâneas para os animais selvagens no Colosseum, iniciado pelo seu pai e inaugurado pelo seu irmão Tito em 80 d.C..

 Chegou ainda a proibir que erigissem estátuas em seu nome no Capitólio que não fossem de ouro ou prata e que não tivessem um determinado peso.

 Domitianus obteve grandes vitórias no campo militar. Conquistou a Grã-Bretanha, construiu uma fronteira fortificada ao longo do Danúbio e firmou uma paz vantajosa com os dácios. Para financiar os gastos do exército e a construção de grandes obras, aumentou os impostos e promoveu confiscos de bens da aristocracia.

 Este período de governação, durou até à revolta de Lúcio António Saturnino, que conseguiu, em finais de 86, que algumas legiões o proclamassem imperador.

 Com um carácter fraco, tenta proteger a sua posição tornando-se cruel e sanguinário. Para além de todas as ordenadas mortes, expulsões e torturas, iniciou também um período de espoliações.

 Domiciano fazia-se chamar, tanto oralmente como por escrito, Dominus et Deus perseguindo todos aqueles que se recusavam a adorar a figura do imperador, originando assim a segunda perseguição contra os cristãos.

 Morre assassinado em 18 de Setembro do ano 96, vítima de uma conspiração palaciana que integrava alguns dos seus amigos e libertos mais próximos, e a sua própria mulher, Domitia Longina.

 O Senado, horrorizado com tantos crimes, declara-o maldito e apaga o seu nome de todos os monumentos.

 A sua morte pôs termo à dinastia dos Flávios. Sem filhos, sucedeu-lhe Nerva, proclamado pelo senado. Governou apenas dois anos. Seguiu-se-lhe uma série de imperadores «adoptivos», iniciando a excelente dinastia dos Antoninos.

20.9.06

Pompeia e Herculano

 A erupção do Vesúvio em 79 d. C., no tempo do imperador Tito Vespasiano, foi desastrosa para as cidades de Pompeia e Herculano – dois prósperos aglomerados perto da Baía de Nápoles. Apanhados de surpresa os seus habitantes morreram devido aos gases vulcânicos ou imolados pelas cinzas que caíam do céu. Pompeia ficou sepultada pela lava do Vesúvio dando-nos a conhecer uma importante amostra da vida quotidiana no tempo dos antigos romanos. Ficaram intactas muito das suas ruas, casas e lojas. O mais surpreendente, são as formas mumificadas de homens, mulheres, crianças e animais desenterrados nesta cidade. Foram encontradas no interior das lojas tigelas que contêm os ganhos do dia, o que informa sobre o numerário que circulava nas transacções menores.

 Do ponto de vista arqueológico, são significativas as descobertas em Herculano. A lava que submergiu esta pequena cidade preservou não só os murais das luxuosas casas, de mercados, mas também toda outra espécie de objectos como madeira, peles, rolos de papiros e alimentos.

Pompeia
O último dia de Pompeia

29.8.06

Titus

Titus
(Titvs Flavivs Vespasianvs)
Imperador - 79 a 81 d.C.

Tito


 Tribuno militar (39/12/30-81/11/13), filho primogénito de Vespasianus. Foi educado na corte de Nero com Britannicus (talvez porque Claudius I aprovasse as proezas militares de seu pai na Bretanha), e tornou-se grande amigo do rapaz. Começou a sua carreira como tribuno militar na Germânia e a seguir na Bretanha. Mais tarde, depois de ter sido questor, é nomeado lugar-tenente do pai na Judeia, em 66.

 Em 69, o pai faz-se proclamar imperador pelos soldados. Titus termina a guerra da Judeia, conquistando Jerusalém de assalto, em 70. Trouxe o candelabro dos sete braços para Roma onde o esperava magnífico triunfo.

 Durante o reinado de Vespasianus, Titus participou do poder imperial, apesar das insinuações de que fora considerado sucessor de Vitelius em 69. Ocupou sete consulados e comandou a guarda pretoriana. Na tarefa de manter a segurança (pois o reinado de Vespasianus, apesar de consciencioso e eficiente, não esteve livre de distúrbios), Titus mostrou tanta arrogância que poderia ser descrito como cruel.

 A 24 de Julho de 79, Vespasianus, seu pai, morre. Sucede-lhe Titus, como imperador, mas o seu império foi efémero, pois morre a 13 de Novembro de 81. Foi cognominado «As delícias do género humano». Pensou casar-se com a rainha Berenice, mas é obrigado a renunciar a essa ideia para não enfrentar a opinião pública desfavorável; possuía também um extraordinário – quase sinistro – talento para imitar a letra de outras pessoas.

 Durante o seu reinado três calamidades ocorreram: um incêndio em Roma, uma terrível peste e a famosa erupção do Vesúvio que engoliu Pompeia, Herculano e Stabia, mas nem esses fatos diminuíram a reputação favorável que gozou durante e depois de seu reinado, e que poderia ter sido diferente se ele tivesse governado mais tempo. Entretanto, várias das histórias relatadas sobre ele revelam alguma preocupação com a moralidade; a mais enigmática é a observação, feita em seu leito de morte, de que se arrependia de apenas uma coisa que fizera em sua vida. O que quer que fosse, sua generosidade e bom senso em face das irritações e das intrigas, principalmente de seu irmão Domitianus, e as medidas úteis que tomou quando no poder (em especial contra os informantes) têm mais peso.

 Titus deu o seu nome a terras e ao arco que celebra o seu triunfo. A sua morte foi chorada por todos.

Sucedeu-lhe seu irmão Domitianus.


Detalhe do Arco de Tito, erigido em 71 d.C., que se encontra na Via-Sacra de Roma. Representa soldados romanos levando o sagrado candelabro do Templo de Jerusalém.

10.8.06

Vespasianus

DINASTIA DOS FLAVIUS
(69 a 96 d.C.)


VESPASIANUS
(Titvs Flavivs Vespasianvs)
Imperador - 69 a 79 d.C.

Vespasiano


 Imperador romano de seu nome completo Tito Flávio Sabino Vespasiano, nasceu perto de Rieti, na comarca dos Sabinos, no ano 9, falecendo em 79. Foi proclamado imperador pelos seus próprios soldados em Alexandria.

 Vespasiano foi o primeiro burguês que subiu a tão grande dignidade. Simples e laborioso, impôs a ordem em todo o exército. Promoveu a pacificação e o aumento do poder romano nas províncias, prosseguindo a conquista da Bretanha e combatendo a revolta judaica iniciada em 66, esmagada violentamente em 70, culminando com a destruição de Jerusalém por Tito, seu filho, a quem entregou o cargo de prefeito da Guarda Pretoriana e nomeou seu sucessor (78-81) conjuntamente com o irmão mais novo Domiciano (81-96).

 O período da sua governação ficou marcado por uma eficaz administração económica quer na capital do império quer nas províncias, com um aumento significativo do tributo anual e a implementação de medidas económicas muito mais severas, o que permitiu atingir níveis de progresso assinaláveis nas finanças do Estado, tendo inclusive angariado fundos para a construção do Templo da Paz dedicado a Júpiter Capitolino e para o Coliseu de Roma.

 Vespasiano reinou vinte anos. Quando se sentiu morrer, disse as seguintes palavras:
«Sinto tornar-me um deus».

 Sucedeu-lhe o filho Tito.

1.8.06

Vitellius

VITELLIUS
(Avlvs Vitellivs)
Imperador - 69 d.C.

Vitélio


 Aulus Vitellius Germanicus, reinou apenas oito meses, durante o ano dos quatro imperadores, mas ficou famoso pelo seu apetite e crueldade.

 Embora de importância recente, os Vitellius obtiveram enorme influência no tempo de Caligula e de Claudius I, graças à popularidade que Lucius Vitellius (pai de Vitélio) gozava junto a esses imperadores.

 Aulus Vitellius ocupou uma série de postos, em que revelou sua tendência para o vício e a desonestidade. Titus Vinius e Aulus Caecina Alienus (generais Romanos), persuadiram-no a expulsar Galba com o auxílio dos exércitos do Reno, que ele comandava em 69, mas, quando Vitellius chegou à Itália, Otho era seu oponente. A vitória foi obtida facilmente na batalha de Betríaco.

 Depois do suicídio de Otão, Vitélio, nascido no ano 15, foi aclamado imperador romano entre Abril e Dezembro de 69 em Colónia. Apesar da sua eleição ter sido aceite pelo Senado, as legiões sediadas nas províncias do Oriente Médio, Síria e Judéia tinham aclamado Vespasiano como seu imperador.

Com o reconhecimento garantido, Vitélio foi para Roma. O início de seu império não foi um bom presságio. A cidade ficou muito céptica quando Vitélio escolheu o aniversário da Batalha de Allia (um dia de má sorte para a mente supersticiosa romana) para tomar posse do cargo de Pontifex Maximus. Como imperador, Vitellius entregou-se à glutonaria, começou uma série de banquetes (Suetónio refere-se a três por dia: manhã, tarde e noite) e paradas triunfais que levaram o tesouro imperial à falência.

 Os credores começaram a exigir o pagamento e Vitélio mostrou a sua natureza violenta ao mandar torturar e executar aqueles que ousassem fazer tais exigências. Não conseguiu lidar adequadamente com o exército que o levara ao trono e tomou a iniciativa de matar os cidadãos que o nomeavam herdeiro, e os possíveis co-herdeiros. Para completar, perseguiu cada rival possível, convidando-os para o palácio com promessas de poder apenas para matá-los.

Os progressos espectaculares dos Flavius fizeram com que ele pensasse num acordo, mas a lealdade do populacho romano fê-lo mudar de ideia, e ele condenou Roma aos horrores de uma luta durante a qual o Capitólio, incluindo o próprio templo do deus Júpiter, foram incendiados.

 Em Outubro, na segunda batalha de Betríaco, os partidários de Vitélio são vencidos pelas tropas dos Flavius, comandadas por Antonius Primus, embora pagassem um alto preço, inclusive com a morte de Sabinus, irmão de Vespasianus. Vitellius é deposto, torturado e morto pelas tropas dos Flavius, sendo o seu corpo atirado ao rio Tibre.

 Sucedeu-lhe Vespasianus