20.8.19

Diocleciano


Diocletianus
(Caio Aurélio Valério Diocleciano Augusto)
Imperador – 284 d.C.-305 d.C.

Diocleciano



Imperador romano, de seu nome completo Caio Aurélio Valério Diocleciano, nasceu em Dioclea em 245.

O seu governo de 21 anos caracterizou-se pela capacidade administrativa sustentada num carácter e numa personalidade carismáticas.

Baseou a sua acção na premissa de dividir para governar. Neste sentido, entregou o governo da parte ocidental do Império ao seu camarada de armas Maximiano, sediado em Milão, delegando em si próprio a gestão da parte oriental, fazendo, tal como Augusto, uma administração pessoal a partir de Nicomedia, no Mar de Mármara. Em 293 cada um deles escolheu um sucessor: Diocleciano apontou Galério e Maximiano, Constâncio Cloro. Desta forma formou-se um governo repartido a quatro, conhecido como a "tetraquia".

No campo militar desenvolveu campanhas contra os Persas, assegurando uma paz de quase quarenta anos, estabilizando o domínio romano na Mesopotâmia e zona do Cáucaso.

Dividiu as províncias em unidades administrativas mais pequenas, de forma a aumentar a precisão do controlo, a limitar as rebeliões militares e consequentes candidatos ao trono, facilitando de igual modo a implementação de medidas económicas mais rígidas. Diocleciano desenvolveu uma estratégia que visava minimizar o descalabro económico provocado pelos seus predecessores, mas tal não foi objectivamente conseguido. Fica como referência governativa o esforço que empreendeu para separar a função pública da militar e a tentativa de minimizar as diferenças entre a Itália e a província.

Em 304 Diocleciano teve um colapso, vendo-se obrigado a abdicar no ano seguinte, retirando do poder o co-imperador Augusto Maximiano. Morre em 313.


20.11.18

Claudio II - Gótico


Cláudius II Gothicus
(Marcus Aurelius Valerius Claudius)
Imperador – 268 d.C.-270 d.C.

Cláudio Gótico



De verdadeiro nome Marcus Aurelius Valerius Claudius, Claudio nasceu em 10 de Maio de 214 na província do Illyricum. Foi tribuno militar de Decius e Valeriano e este último promoveu-o a comandante do exército daquela província.

Claudio foi uma das figuras fundamentais para o assassinato do tão odiado Gallienus tal como Aureliano e juntamente com este subiu ao trono porque supostamente Gallienus o indicara enquanto morria...

O novo imperador era misericordioso e de feitio calmo (bem ao contrário de Aureliano), o que fez dele bastante querido por entre o exército ainda mais porque uma das suas primeiras medidas foi pagar um bónus ao exército... Seja como for o seu trabalho era para homens de «barba rija» e não «copinhos de leite». Com efeito os alemanos atravessaram o Danúbio e os Alpes e assim Claudio encontrou-se com os bárbaros na Batalha do Lago Benacus em 268, causando uma derrota tão esmagadora por entre as hostes Germanas que apenas metade dos bárbaros conseguiu fugir.

Havia mais uma questão a tratar: o afamado «Império Gálico» (também ele já aqui falado), era uma autêntica vergonha para uma Roma novamente poderosa, uma pedra no sapato. Claudio mandou o seu General Julius Placidianus trazer essa importante província novamente para o controlo de Roma, o que finalmente fez com que os Gauleses capitulassem.

As vitórias entretanto continuaram com o fim da ameaça Goda nos Balcãs, a Batalha de Marcianopólis, as constantes derrotas da frota Herúla infligidas pela Romana de Tenagino Probus (Governador do Egipto)... Tudo isso fez com que adoptasse o cognome de «Gótico». Os ventos da guerra contra os bárbaros estavam finalmente a mudar a favor de Roma, mas apesar destas vitórias os Romanos perdiam outras batalhas contra Zenobia, rainha de Palmyra que declarara guerra ao Império em 269, e conseguira conquistar vastos territórios desde o Egipto à Turquia. Mas a prioridade eram os bárbaros do Norte e por isso Claudio II partiu para fazer guerra aos Jutos e aos Vândalos que ameaçavam a Raetia e a Pannonia respectivamente. Morreu de praga em Janeiro de 270. A sua morte foi chorada verdadeiramente em Roma.

Sucedeu-lhe Aureliano e como coimperador, Quintilo


18.11.15

Gallienus

PUBLIUS GALLIENUS
(Pvblivs Licinivs Egnativs Gallienvs)
Imperador – 253 a 268 d.C.

Galiano



Pensa-se que Gallienus terá nascido em 213. Em 253 o seu pai, Valeriano é aclamado Imperador pelas suas tropas em Raetia e imediatamente Gallienus é feito César. Um mês mais tarde, quando pai e filho já se encontravam em Roma, recebe no entanto o título de Augusto.

Ao contrário de muitos imperadores da época, Gallienus não era apenas um general; era inteligente, sofisticado e havia sido educado nos valores gregos, o que fez dele pouco popular entre os generais do Danúbio, que ele é incumbido de proteger em 254. Esta campanha durou 2 anos e provou as capacidades militares de Gallienus ao parar o avanço dos Germanos. Em 256 vai para o Reno, para lutar com os bárbaros numa campanha que durou 2 anos. Regressou de novo ao Danubio em 258, quando no ano seguinte recebe a notícia de que Jutos e Alemanos haviam atravessado o Reno e dirigiam-se para a Itália, onde um exército foi formado para os deter. Confrontados com resistência dos bárbaros regressam para o Norte, apenas para enfrentarem o exército de Gallienus, que os derrotou em Mediolanum (Milão) e na Primavera de 260 em Augsburgo, sendo os cativos romanos libertados e os bárbaros feitos prisioneiros. Uma grande vitória Romana, e que pusera os bárbaros ''em linha''.

No Outono de 260 chegaram novamente más noticias a Gallienus: o seu pai que lutava contra os Persas fora feito prisioneiro, e iria assim morrer em cativeiro. Se Gallienus já era impopular, esta notícia provocava agora rebeliões um pouco por todo o Império, com o Imperador a ir de um lado para o outro a esmagá-las. Postumus aproveita este momento de fraqueza para se proclamar ''Imperador da Gália'' em 261, um curto espaço de tempo da História Romana em que a Gália se separou de Roma (261-274). Os Godos entretanto invadem o Império em 268 pondo em risco, o reinado de Gallienus. Atenas é saqueada mas apesar de tudo o exército principal é derrotado em Naissus, com 50.000 bárbaros jazendo no solo. Gallienus não viria no entanto a poder gozar este momento de glória por muito tempo, pois em Setembro desse mesmo ano é assassinado pela elite militar do Danubio que nunca havia gostado dele.

Sucede-lhe Claudio II Gótico.


10.7.15

Marcus Aemilianus

MARCUS AEMILIANOS
(Marcvs Aemilivs Aemilianvs)
Imperador – Agosto de 253 a Outubro de 253 d.C.

Emiliano



Marco Emílio Emiliano, foi imperador romano por um breve período em 253. Originário da África (nasceu em Gerba-Tunísia), era governador da Mésia quando os godos chefiados pelo rei Cniva invadiram esta província devido à recusa de Emiliano em pagar os tributos que o imperador Treboniano Galo lhes prometera. Emiliano derrotou os godos e partiu para a contra-ofensiva, atravessando o Danúbio e invadindo o território inimigo num ataque-relâmpago.

Esta vitória inesperada restaurou o ânimo e a confiança das tropas, desmoralizadas após desastres sucessivos, e cheias de si resolvem proclamar seu comandante como imperador. Emiliano invade a Itália a fim de combater Treboniano Galo, mas este e seu filho Volusiano são assassinados por seus próprios soldados, temerosos das forças adversárias, antes da batalha decisiva.

Entrementes, Valeriano, governador das províncias do Reno superior, parte para a Itália com um poderoso exército a fim de prestar socorro a Treboniano, e com a notícia da morte deste, seus soldados o proclamam imperador. Cientes da superioridade das forças de Valeriano, os soldados de Emiliano resolvem assassiná-lo, num estranho paralelo com o destino de seu antecessor.

A administração conturbada do imperador Aemilian foi resumida por Eutrópio:

"Aemilianus veio de uma família extremamente insignificante, seu reinado foi ainda mais insignificante, e ele foi morto no terceiro mês."


12.6.15

Treboniano Galo

TREBONIANUS GALLUS
(Gaius Vibius Afinius Trebonianus Gallus)
Imperador - 251 a 253 d.C.

Treboniano Galo



Caio Vibius Treboniano Galo nasceu por volta do ano 206 dC, em Perugia (Itália). Casou-se com Afinia Gemina Baebiana e teve dois filhos, Caio Vibius Volusianus e uma filha Vibia Galla
Cônsul em 245 AD foi mais tarde nomeado governador do Alto e Baixo Moesia. Com as invasões góticas de 250 dC, Gallus tornou-se uma figura importante nas guerras góticas do imperador Décio.

Muitos culparam Gallus para a eventual derrota de Décio, alegando que ele havia traído o imperador trabalhando secretamente com os godos para ver Decius morto. Mas há pouco se pode ver hoje o que justificaria tais alegações.

Após a batalha desastrosa de Abrittus, Treboniano Galo foi proclamado imperador pelos seus soldados.

Seu primeiro ato como imperador, sem dúvida, ansioso para chegar a Roma e garantir o seu trono, foi fez uma paz muito cara com os godos. Os bárbaros não só foram autorizados a voltar para casa com todo o seu despojo, assim como com seus prisioneiros romanos. Gallus até concordou em pagar-lhes um subsídio anual para eles não atacarem novamente.

Após a morte de Hostilianus (filho de Décio), Volusianus foi elevado a co-Augustus.

O reinado de Gallus sofreu uma série de desastres, a pior foi a peste que devastou o império por mais de uma década. Uma das primeiras vítimas da doença tinha sido o jovem Hostilianus. A peste empobreceu a população e criou problemas no exército, justamente quando graves ameaças surgiram nas fronteiras. Gallus pouco podia fazer quando os persas, sob Sapor I (Shapur I), invadiram a Arménia, Mesopotâmia e Síria (dC 252) e os godos aterroziram as províncias do Danúbio e até mesmo invadir e devastar a costa norte da Ásia Menor (Turquia).

Gallus, ansiosos para encontrar um meio pelo qual a desviar a atenção destes perigos graves para o império, reviveu a perseguição dos cristãos. Papa Cornelius foi preso e morreu em cativeiro. Foram tomadas outras medidas, a fim de ganhar o favor do povo. Criou um esquema pelo qual até mesmo os muito pobres tinham direito a um enterro decente.

Mas, nesses tempos conturbados, era apenas uma questão de tempo para surgirem ameaças à tomada do poder. Em 253 d.C. Marco Emílio Aemilianus, governador da Baixa Moesia, lançou um ataque bem sucedido sobre os godos. Os seus soldados, vendo nele um homem que finalmente poderia alcançar a vitória sobre os bárbaros, elegeu-o imperador. Aemilian imediatamente marchou para o sul com seus exércitos e atravessaram as montanhas para a Itália.

Gallus e Volusianus foram tomadas de surpresa. Reuniram as poucas tropas que puderam, chamando Publius Licinius Valeriano no Reno para vir em seu auxílio com as legiões, e foram para o norte em direção a Emiliano que se aproximava.

Os dois exércitos se encontraram na Interamna Nahars (moderno Terni), no sul fim do ramo oriental da Flaminia, e Aemilian ganhou a batalha; Gallus e Volusianus fugiram para o norte com alguns seguidores, provavelmente como uma tática de atraso antes da chegada de reforços, mas pelo Fórum Flaminii (moderno San Giovanni Profiamma ), sobre o ramo ocidental da Flaminia, foram mortos por alguns de seus próprios guardas, que pensava que a sua traição poderia dar-lhes uma recompensa.

12.5.15

Trajanus Decius

TRAJANUS DECIUS
(Caivs Messivs Qvintvs Traianvs Decivs)
Imperador - 249 a 251 d.C.

Décio



Nascido na Ilíria, província do Danúbio, entre 190 e 201 d.C., Caius Messius Quintus Decius alcançou rapidamente um cargo senatorial. Foi casado com Herennia Etruscill, de quem teve dois filhos, Herennius Etruscus e Hostilianus.

Sendo governador, recebeu de Philippus I a incumbência de combater e abortar a rebelião no Danúbio pelo pretendente Pacatianus. Seu grande sucesso levou suas tropas a declará-lo imperador em Junho de 249 d.C.; Decius marcha para Itália a fim de derrubar Philippus I. Este, ao saber disso, vai ao seu encontro e é derrotado e morto numa batalha perto de Verona.

Decius era um homem que respeitava as antigas tradições romanas tendo adoptado o nome de Trajanus e quis devolver a Roma o seu antigo poder devolvendo a administração civil do Império ao Senado.

Para restabelecer a potência da religião romana clássica, em 249/250, ele iniciou uma severa perseguição aos Cristãos que só diminuiu de intensidade no fim de 250 por causa da guerra contra os godos. Obrigou os cidadãos do Império a ser titular de um documento onde se assinalava o facto de ter feito uma oferenda pública de um sacrifício aos deuses (Édito de 250 d.C.)

Herennius, filho mais velho de Decius, tornou-se augustus e foi para Mésia, lutar contra os godos que invadiram o norte do império em Junho de 251. Decius seguiu-o, e ambos morreram na desastrosa Batalha de Abrittus, em Junho de 251 d.C. Ao que parece, a derrota foi devida a uma traição de um dos seus principais oficiais, Trebonianus Gallus, que seria seu posterior sucessor.

20.11.14

Philippus II

PHILIPPUS II
(Marcvs Ivlivs Severvs Philippvs)
Imperador - 247 a 249 d.C.



Marcus Julius Severus Philippus era filho do imperador Philippus I e sua esposa Otacilia Severa. Tinha apenas sete anos quando seu pai se tornou imperador e deu-lhe o título de caesar. Em 247 d.C. foi elevado a augustus. Quando Philippus I foi morto na batalha de Verona durante a luta pelo poder mantida contra Trajanus Decius, Philippus II distribuiu gratificações para as tropas e dinheiro para os cidadãos de Roma para celebrar sua ascensão ao trono. Esta generosidade não impediu que a guarda pretoriana o matasse no Outono de 249.

Muitas das moedas de Philippus II se agraciam com bonitos retratos e primorosa arte no reverso, embora ele fosse só um caesar e um secundário imperador. As moedas cunhadas com o seu nome coincidem na legenda com as de seu pai, mas de fácil distinção devido ao retrato juvenil de Philippus II.

2.7.14

Philippus I (Arabicus)

PHILIPPUS I
(Marcvs Ivlivs Philippvs)
Imperador - 244 a 249 d.C.

Filipe, o árabe



Marcus Julius Philippus nasceu por volta de 204 d.C. em Idumea (Arábia), mas o início de sua vida é obscuro. De carácter muito ambicioso, tornou-se prefeito pretoriano após a morte de Timesiteus, e imperador depois do assassinato de Gordianus III, morto pelas tropas descontentes, devido às diversas sabotagens instigadas por si sobre o jovem predecessor no início de 244 d.C. Logo de seguida indicou seu filho, Philippus II, para o cargo de caesar, e, abandonando a campanha contra os persas, fazendo uma paz pouco honrosa com Shapur I, voltou rapidamente para Roma para consolidar o seu reinado.

Em 246, realizou campanhas no Danúbio com sucesso. Em 247, fez seu filho augustus, e em 248 promoveu os últimos Jogos Seculares (Ludes Saeculares), celebrando a fundação de Roma por Rómulo e Remo. Centenas de animais exóticos foram enviados desde as mais remotas partes do Império e mostrados na arena do circo.
Uma série de usurpações abalou sua confiança, e uma rebelião estalou entre as legiões acampadas no Danúbio. Trajanus Décius foi indicado para enfrentar a situação, tendo este tido tanto êxito que as legiões o declararam imperador em 249. Philippus I ao conhecer a situação partiu ao encontro de Décius para o aniquilar mas foi derrotado na batalha perto da cidade de Verona, tendo sido possivelmente assassinado pelas suas próprias tropas; após sua morte, a guarda pretoriana, em Roma, assassinou seu filho.

13.5.14

Gordianus III

GORDIANUS III
(Marcvs Antonivs Gordianvs Sempronianvs)
Imperador - 238 a 244 d.C.

Gordiano III


Nascido a 20 de dezembro de 224 d.C. em Roma, Marcus Antonius Gordianus Sempronianus, neto por linha materna de Gordianus I e sobrinho de Gordianus II, tornou-se caesar e depois imperador, com a idade de treze anos, após a morte de Maximinus I e os assassinatos de Balbinus e Pupienus pela guarda pretoriana, sendo elevado sobre um escudo para poder ser visto e vitoriado em jubileu pelo povo de Roma.

No princípio, o governo esteve a cargo de sua mãe, Maecia Faustina. De 238 a 241, ele e seus conselheiros seguiram a política de Gordianus I. Em 241, Timesiteus foi nomeado prefeito pretoriano, e Gordianus III casou-se com sua filha, Tranquilina, formando assim um triunvirato que corrigiu muitos dos problemas do sistema imperial, descontrolados desde os tempos de Severus Alexander.

Foi um período tranquilo durante os seis anos de governação, sendo de assinalar uma pequena rebelião em África no ano de 240 d.C. que foi rapidamente sufocada. Desde os tempos de Marcus Aurelius que não havia em Roma um período de tranquilidade e optimismo tão elevado.

Em 242, após uma invasão pelo rei persa Shapur I na Síria e Mesopotâmia, Gordianus III realizou uma campanha contra os persas com Timesiteus, mas, depois de uma série formidável de vitórias recuperando a cidade de Antioquia e a reconquista completa da Mesopotâmia, Timesiteus ficou doente, possivelmente envenenado, e morreu em 243. Seu sucessor M. Iulius Philippus, posteriormente imperador Philippus I, cobiçava o poder, e por isso Gordianus III foi assassinado por soldados no início de 244 d.C. em Circessium (Zaitha, perto de Eufrates).

4.3.14

Balbinus e Pupienus

BALBINUS
(Decimvs Caelivs Calvinvs Balbinvs)
Co/Imperador com Pupienus - 238 d.C.

Balbino


O Senado, apoiou o levantamento contra o governo tirânico do imperador Maximinus I, encabeçado por Gordianus I e II. Após a morte destes dois imperadores em África e, conhecendo as intenções de Maximinus I de marchar com um exército contra Roma, elegeu em 22 de Abril de 238 d.C. como co-imperador, Decimus Celius Calvinus Balbinus juntamente com Pupienus.

Balbinus era um patrício, senador em Roma e foi encarregado do controle da administração civil da capital do império, assim como o governo sobre o povo e a guarda pretoriana. Pupienus encarregou-se das forças armadas com o qual derrotou Maximinus I.

Com a derrota e a morte de Maximinus I (morto pelas suas próprias tropas) o poder dos dois imperadores senatoriais parecia assegurado. Por imposição popular, nomearam como sucessor do império, Gordianus III, filho e neto respectivamente de Gordianus II e Gordianus I que apenas contava com três anos de idade. `

Mas estes imperadores não estiveram muito tempo no poder, a guarda pretoriana, insatisfeita, invadiu o palácio e assassinou os dois noventa e nove dias depois de sua ascensão.

PUPIENUS
(Marcvs Clodivs Pupienvs Maximvs)
Co/Imperador com Balbinus- 238 d.C.

Pupieno


Marcus Clodius Pupienus Maximus era de origem humilde, mas teve uma carreira ilustre, servindo como procônsul na Ásia e prefeito urbano.

Senador com grande experiência militar, e após as mortes de Gordianus I e Gordianus II, Pupienus foi, juntamente com Balbinus, eleito imperador pelo temeroso Senado Romano a 22 de Abril de 238 d.C, para a defesa de Roma frente ao vingativo retorno de Maximinus I.

Enquanto Balbinus tomava a seu cargo o controle da administração civil do Império, Pupienus encarregou-se das forças armadas com as quais derrotou Maximinus I.

O reinado conjunto durou noventa e nove dias, durante os quais Gordianus III foi indicado para caesar. Pupienus e Balbinus foram mortos pela guarda pretoriana descontente a 29 de Julho de 238 d.C.

Sucedeu-lhes Gordianus III

21.12.13

Gordianus II Africanus

GORDIANUS II AFRICANUS
(Marcvs Antonivs Gordianvs Sempronianvs Romanvs Africanvs)
Imperador - 159 d.C. a 238 d.C.

Gordiano II


Gordianus nasceu por volta de 192 d.C., e foi cônsul no reinado de Severus Alexander. Tornou-se imperador juntamente com seu pai, Gordianus I, após a rebelião dos proprietários de terras africanas, em 238. Seu reinado durou apenas vinte e um dias: morreu na batalha contra Capelianus, governador da Numídia e partidário de Maximinus I.

De seu nome completo Marcus Antonius Gordianus Sempronianus Romanus, diz-se que Gordiano II era gordo, e que possuia 22 concubinas, das quais tinha vários filhos. Gostava também de coleccionar livros e de escrever. Gordianus II tornou-se Imperador juntamente com o seu pai (Gordianus I), devido à Revolta dos impostos no Norte de África.

Gordianus II possuia os mesmos títulos que seu pai, com a excepção do pontifex maximus. Em 19 de Março de 238 seu pai faz dele Augustus, e pouco tempo depois é enviada uma delegação a Roma, para conquistar apoiantes e matar os de Maximinus. A primeira acção da delegação foi assassinar o Prefeito da Guarda Pretoriana Vitalianus, um leal amigo do tão odiado Maximinus. Assassinado Vitalianus, o Senado confirmou os 2 Gordianus Imperadores. O programa de governo dos 2 Augustos era democrático: acabar com a polícia secreta, dar uma amnistia aos exilados e inimigos de Maximinus e como é óbvio dar um bónus às legiões. No entanto o governo dos Gordianus não haveria de durar, pois Capellianus (Governador da Numídia) era um inimigo fidagal, e talvez por isso mantêve-se leal a Maximinus. Mais do que isso a Numídia era a casa da poderosa III Legião Augusta, a única que existia na zona. Assim foi lançada uma poderosa ofensiva a Cartago. Gordianus II tentou organizar a resistência, construindo um exército, mas acabou por ser derrotado e morto. Os Gordianus reinaram por apenas 22 dias. Sucederam-lhes Balbinus e Pupienus.

5.5.12

Gordianus I Africanus

GORDIANUS I AFRICANUS
(Marcus Antonius Gordianus Sempronianus Romanus)
Imperador - 159 d.C. a 238 d.C.

Gordiano I



Gordianus I nasceu provavelmente em 159 d.C., era o filho de Maecius Marullus e Ulpia Gordiana (embora devemos por em causa o nome da mãe, já que esta foi provavelmente uma forma de Gordianus dizer que a sua mãe era descendente do grande Imperador Trajano).

Torna-se cônsul em 222 aos 64 anos de idade e procônsul da África, no tempo de Severus Alexander, de 237-238 foi Governador da Bretanha Inferior.

Com a idade avançada de 80 anos é apontado governador da Província de Africa por Maximinus I. Este provavelmente pensou e com razão de que Gordianus era inofensivo, caso as circunstâncias não tivessem sido maiores. Em 238, os funcionários de Maximinus estavam a recolher os impostos, pesados e injustos, aos proprietários de terras da Província de Africa, para custear as suas caras campanhas militares, quando em Thysdrus, os proprietários revoltaram-se e mataram os funcionários do Imperador. No entanto eles sabiam que havia apenas uma maneira de escaparem da ira de Roma: incitarem o seu governador à revolta, e declararem-no Imperador. Gordianus estava relutante, mas em 19 de Março de 238 ele aceita, e faz do seu filho co-Augustus. É então enviada uma missão a Roma, que assassina os apoiantes de Maximinus na Guarda Pretoriana. O Senado romano apoiou Gordianus I e votou a condenação da memória de Maximinus I.

Agora no poder, Gordianus I anuncia o que vai fazer: acabar com a rede de informadores, com a polícia secreta, e pagar um bónus ao exército. No entanto o Governador da Numídia-Capellianus - permaneceu leal a Maximinus, e naquela zona a única legião que havia era a 3ª Legião Augusta, que estava na Numídia. Ela avança sobre Cartago, e suas tropas experientes derrotaram com facilidade a milícia fracamente armada comandada por Gordianus II, que foi morto durante a batalha. Após a derrota e a morte do filho, Gordianus I suicidou-se.

Gordianus I governou por 22 dias.

21.11.11

Maximinus I Tracius

MAXIMINUS I TRACIUS
(Caivs Ivlivs Vervs Maximinvs
Imperador - 235 a 238 d.C.

Maximino

Nascido na Trácia por volta de 173 d.C., Caius Julius Verus Maximinus veio de uma humilde família (agricultores), provavelmente de bárbaros. Era um homem boçal e pouco instruído.

Devido a sua estatura gigantesca, sua tremenda força física e sua brutalidade, entrou no exército romano e percorreu uma brilhante carreira militar. Depois de se alistar na cavalaria, tornou-se guarda pessoal do imperador; mais tarde, serviu como tribuno durante o governo de Elagabalus, e foi o principal comandante militar no período de Severus Alexander.

Dirigiu uma legião, sendo depois nomeado Governador da Mesopotâmia. Casou-se com Caecilia Paulina, e foi acusado de matá-la pouco antes de aceder ao trono. Em 235, foi proclamado imperador por suas tropas amotinadas quando realizava a cobrança de impostos para recrutamento em Rhin. Por sua vez, nomeou caesar seu filho Maximus.

Manteve com sucesso sua campanha de dezoito meses contra os povos germânicos, repelindo os ataques bárbaros em Rhin e no Danubio. Moveu a sexta perseguição contra os cristãos. O seu reinado caracterizou-se por um ódio contra a nobreza e o senado.

A sua implacável crueldade contra o povo de Roma e contra todos aqueles que foram acusados de conspirar contra ele, provocou uma resistência contínua. À insurreição de Gordianus I e Gordianus II na África, em 238, sucedeu outra em Roma quando Balbinus e Pupienus foram eleitos co-imperadores pelo Senado. Maximinius que se encontrava em Pannonnia decidiu marchar contra Roma, mas ele e seu filho foram assassinado em 24 de Junho de 238 d.C. por sua própria guarda pretoriana. As cabeças de ambos foram colocadas em postes e ficaram expostas na cidade de Aquiléia.

5.7.11

Milreu



Marius já tinha visitado Abicada (Alvor) e Cerro da Vila (Vilamoura – Quarteira) e estando de novo, em férias, na zona sul de Portugal, lembrou-se que um dia um amigo lhe tinha dito que havia umas ruínas romanas num local chamado Milreu. Visto o mapa pareceu-lhe que esta localidade estava perto de Olhão e daí ter-se dirigido para essa zona. Foi uma aventura. Nem César com as suas legiões deve ter demorado tanto a chegar à Gália como Marius demorou a chegar a Milreu. Informações contraditórias e horas perdidas sem dar com o buraco da agulha. Já sem norte pára perto de uma bomba de gasolina em Olhão ao avistar um sujeito sentado numa cadeirinha na berma da estrada e pergunta-lhe se conhecia Milreu. Pelas perguntas sucessivas verifica Marius que dali não virá nada pois o homem já tinha os ouvidos endurecidos pelo tempo. Passa um outro e a pergunta faz-se, se sabia onde ficava Milreu. O homem refere as ruínas e Marius respira de alívio, até que enfim que alguém conhece o local. Mas eis que ele faz a pergunta ao que estava sentado sobre Milreu e à pergunta a resposta é feita em pergunta:

- Quem foi que morreu?

Tirem-me deste filme!

Mais uma indicação errada e só depois em Faro (nem sei como lá fui parar) é que nos Bombeiros veio a indicação correta. Na localidade Coiro da Burra, vira-se em direção a Estói e aparece Milreu. Mas já estava fechado (fecha das 13 às 14). Um azar nunca vem só!


Milreu

Com uma apresentação de entrada ao mesmo nível da das ruínas de Cardílio o que dá um certo ar de cuidado que o IPPAR tem feito para dar a conhecer estas ruínas (pena não ter tido o mesmo cuidado na Abicada que pode-se dar como perdida para sempre pois está completamente abandonada e já pouco lá resta) esta villa rustica ainda tem muito para ver.

O peristrilo (peristylium) com colunas, ginásio (gynmnasium), vestiários (apodyterium), termas com águas tépidas (tepidarium), quentes (caldarium) e frias (na banheira do frigidarium podem-se ver mosaicos representando peixes).


O edifício religioso é imponente.


Foi aproveitado para igreja cristã a partir do século VI e tal como nas ruínas de ‘Torre de Palma’, existe um baptisfério de forma retangular e também um cemitério com um pequeno mausoléu.

Esta villa sofreu várias melhorias durante séculos e no século XVI foi construída uma casa tipicamente algarvia sobre as ruínas romanas.

ruínas no interior da casa

No pequeno museu, à entrada, pode-se ver os bustos de Agripina Minor (século I d.c.. Filha de Germânico e Agripina Major, foi bisneta do Imperador César Augusto, irmã de Calígula e cunhada de Tibério. Mais tarde tornou-se imperatriz através do seu casamento com Cláudio, que também era seu tio), de uma dama romana que se presume ser familiar de um dos ricos proprietários, do Imperador Adriano (século II d.c.) e o Imperador Galieno (século III d.c.).

Imperador Adriano


Estas ruínas foram classificadas como Monumento Nacional em 1910.

Vídeo e Fotos: Marius70

Mais Informações: IPPAR
(clicar)

"

27.5.11

Severus Alexander

Severus Alexander
(Marcvs Ivlivs Gessivs Alexianvs Bassianvs; Marcvs Avrelivs Severvs Alexander)
Imperador - 222 a 235 d.C.

Alexandre Severo


Nascido por volta de 209 d.C., Severus Alexander era filho de Julia Mamaea e Gessius Marcianus, e neto de Julia Maesa (irmã de Julia Domna, mãe de Caracalla). Como resultado das maquinações de Julia Maesa, foi adotado por seu primo Elagabalus, em 221, como seu filho e herdeiro, e seu nome passou a ser Marcus Aurelius Severus Alexander. Assim como Elagabalus, Alexander era considerado filho bastardo de Caracalla. Tornou-se imperador em 222, quando os soldados se revoltaram e mataram Elagabalus ao descobrirem que ele tentara assassinar seu jovem primo.

Embora fosse somente um menino de 14 anos, quando foi elevado ao trono, o Senado lhe concedeu o título de Pater Patriae (Pai do País), por estarem livres da depravação de seu antecessor, Elagabalus, e também devido a preocupação com as poderosas legiões romanas que estavam no controle.

O reinado de Alexander foi bem menos instável e dissoluto que o de seu antecessor, e no início tudo correu bem. Homem pacífico, de costumes simples e puros, quis ser imitador de Marco Aurélio. Fundou imensas escolas, orientadas pelo sábio jurisconsulto Ulpiano. Religioso tinha no seu oratório os bustos de Orfeu, Abraão e Jesus. Ele removeu algumas das severas leis que discriminavam os cristãos e pensou em montar um templo para a adoração cristã, mas foi convencido pelos sacerdotes a não faze-lo. Ulpianus foi nomeado prefeito pretoriano, mas foi assassinado por volta de 223/224.

Em 225, Alexander casou-se com Barbia Orbiana, mas ela foi exilada em 227, com base na alegada tentativa de revolução de seu pai. Com a queda do império persa e a ascensão dos Sassânidas, sob a liderança de Ardashir, a fronteira do Oriente começou a correr perigo. Em 230, Ardashir I invadiu a Mesopotâmia romana e ameaçou a Síria. As negociações falharam e, em 231, Alexander iniciou uma campanha, obtendo sucesso discreto em 232, ao forçar Ardashir I a se retirar. Agitações no Reno obrigaram Alexander a voltar para Roma, em 233, e ele se dirigiu à fronteira germânica em 234. Em 235 d.C., a acentuada inclinação de Alexander pelas negociações, ao invés das lutas, irritou de tal forma suas tropas que soldados o assassinaram, em Moguntiacum, encerrando assim a Dinastia dos Severus.

A magnífica administração de Alexandre Severo não teve a compreensão do exército que não recebia as benesses que requeria. Depois da sua morte, seguiu-se um período de Anarquia militar e o poder andou pelas mãos de uma série de «Imperadores de Quartel», nada menos que 21, durante 50 anos, até que Maximino subiu ao poder.

28.1.11

Elagabalus

Elagabalus
(Varivs Avitvs Bassianvs Marcvs Avrelivs Antoninvs)
Imperador - 218 a 222 d.C.

Heliogábalo


Também designado Elagabalus, Heliogábalo, nascido em Émeso, na Síria, provavelmente no ano de 205. Foi imperador romano entre 218 e 222. Filho de Julia Soaemias (sobrinha de Julia Domna) e de Sextus Varius Marcelus foi proclamado imperador, em 218 d.C., após o assassinato do imperador Caracalla, e apoiado num astucioso plano de sua mãe Soaemis e da tia-avó Júlia Domma, recebendo a púrpura imperial, com a idade de 14 anos, das tropas orientais que haviam se rebelado contra o governo de Macrinus, que foi derrotado e morto um mês depois, e o proclamaram augustus. A sua entrada na corte imperial deveu-se ao facto de ter sido considerado filho bastardo de Caracalla devido a ser parecido com este imperador.

O nome de Elagabalus deriva do deus-sol sírio-fenicio de Emesa (Síria), El Gebal (Elagabal), este representado em algumas de suas moedas, do qual era sacerdote; ele se tornaria o mais insólito imperador que Roma já tivera. Devoto fanático do culto, trouxe seu deus para Roma – ou seja, trouxe com ele a pedra negra (o deus Baal) de Emesa.

Seu comportamento escandalizou os senadores romanos e os soldados pelos seus vícios e extravagâncias. Homossexual e travesti, nem por isso deixou de casar-se com três mulheres (Julia Paula, Aquilia Severa e Annia Faustina), inclusive com uma virgem vestal. Sob seu governo, os actores, dançarinos, aurigas e atletas atingiam posições de destaque com base em seus excessos sexuais, e nem sua mãe nem sua avó conseguiram controlá-lo. Os soldados ficaram tão repugnados com sua conduta que, por volta de 221, já corriam boatos de que ele seria assassinado.


A sua intenção de impor o seu deus asiático ao panteão de divindades romano foi polémica. Sua avó, Julia Maesa, que contribuíra para sua ascensão ao trono, convenceu Elagabalus a adoptar seu primo, Severus Alexander, como filho e caesar, em 221 d.C.. Mas ele logo ficou com ciúmes do rapaz, muito popular junto às tropas, e tentou mandar matá-lo. Os soldados se revoltaram, e mataram Elagabalus e sua mãe em Março de 222, seus corpos foram arrastados pelas ruas de Roma e jogados no Tiber. O seu reinado foi considerado infame por decisão do Senado.

Sucedeu-lhe Severus Alexander.

23.9.10

Abicada

Situada a pouca distância da estrada que liga Portimão a Lagos (perto da Ria de Alvor) e depois de quase um km por estrada de areia em muito mau estado, vejo as ruínas de uma Villa Romana. Completamente abandonada, com uma cerca aberta sem ninguém a guardá-la.


Qualquer visitante pode levar as tesselas ainda existentes, descaracterizando mais uma zona que deveria ser preservada e restaurada por quem de direito, neste caso, o IPPAR.


Pouco explorada só dá para ver restos de uma habitação. O local deveria servir para escoamento de produtos piscícolas através da Ria que na época não deveria estar tão afastada.


É com imensa tristeza e revolta que mais uma vez verifico que este país é um país do deixa-andar. Quando não acarinhámos o passado como é que podemos preparar o futuro? É deixar andar e está feito.


Fotos: Marius70

Testemunho do passado

27.7.10

Ruínas Romanas de Cardílio

Por indicação de António Duarte Rodrigues (que comentou no meu blogue "Rumo ao Sul") marius foi até Torres Novas a fim de visitar as Ruínas Romanas de Cardílio.


Segundo os estudiosos, Cardilivm seria o nome do romano que habitava a Villa, embora hajam outras hipóteses para que assim não seja. Isto de revolver o passado e quando não há consenso, raramente se chega a uma conclusão pois todos querem ser os donos da verdade.


Marius já viu ruínas em pior estado (Abicada - Portimão, votada ao abandono), e muito há ainda para explorar no subsolo desta Vila, embora se saiba que, através dos tempos, os locais retiraram, para construção das suas próprias casas, muito do legado deixado pelos romanos como sucedeu em Ammaia.

Verifiquei que falta ali um telheiro para salvaguardar os mosaicos dos efeitos nocivos do sol e da chuva como vi nas ruínas de Torre de Palma.

Há que realçar, em todos as ruínas de Villas que marius visitou, que não faltavam os peristylium, pátio quadrangular com um alpendre assente em colunas que tinha um tanque ao meio, o impluvium. Para os romanos os banhos eram ponto de honra, depois veio o tempo das trevas onde o mexer no corpo, nas partes íntimas, para tomar banho era considerado pecado (ainda hoje na Inglaterra o "bidé" não faz parte das casas de banho. Curiosa é a publicidade do "Hotel Inglaterra" - Estoril, onde referem eles que (passo a citar): «Os banheiros possuem bidês». Elucidativo.)

Aqui fica o que está escrito sobre estas ruínas que consta no "Folheto Turístico" da Câmara de Torres Novas. Passo a citar:

Muito antes de 1930 as ruínas romanas eram exploradas como pedreira pelos rurais dos arredores, donde arrancavam materiais destinados à construção das suas próprias casas.

Devido a diligências da Câmara Municipal de Torres Novas, só no ano de 1963 se procedeu à escavação arqueológica orientada por Afonso do Paço, que veio a descobrir um conjunto de alicerces, bases de coluna e pavimentos ornamentados com diversos quadros de "tesselas", formando um edifício composto de três elementos principais: entrada, peristilo e exedra.

Os mosaicos, de cores vivas e motivos geométricos, predominando os de tranças e entrelaçados, estão distribuídos pelas diversas salas.

Evidenciam-se outros representando o quadro das aves de grupos opostos, o dos retratos dos donos da casa com motivos agrícolas e, mais famoso, o da inscrição latina VIVENTES CARDILIVM ET AVITAM FELIX TURRE.

Diversos materiais foram achados numa camada sobre os mosaicos, alguns estudados por Adília Alarcão e Jorge Alarcão, que se encontram guardados no Museu, tais como cerâmicas com marcas AVIL - OF COCI - MODEST F - MVTIS - NAVS - SECUNDVS - SENILIS F - SILVIP ZOILI - OF VA P. -, diversos fragmentos de formas lisas ou decoradas, uma ânfora, lucernas, vidros do século I ao IV da nossa era, metais, marfim, osso, mármore, e, posteriormente, uma estátua de menino nú (Eros).

VILA DE CARDILIO chamam às ruínas romanas, porque o nome de CARDILIVM nelas aparece delineado por pequenas tesselas de mosaico, de mãos dadas com o de AVITAM, que dois bustos, de tesselas também, parecem sugerir casal feliz na não menos FELIX TVRRE.

Mas a interpretação não é assim tão simples, nem linear, pois a famosa inscrição latina VIVENTES CARDILIVM ETAVITAM FELIXTVRRE, inserida no OPVS TESSELLATVM de uma sala, como legenda dos dois bustos, separados por foice e postos acima de duas crateras tombadas, tem merecido quase tantas traduções quantos os epigrafistas.

E o segredo permanece, de mistura com a sedução daquela TVRRE (que pode estar na origem das nossas TORRES novas) e do seu par Romano, de agricultores com certeza, a julgar pela VILLA em que viviam e pelos vasos e foice, testemunhos de vida agrícola, e prováveis símbolos de vinho e de pão.

Muitas são as interpretações tecidas à volta das seis palavras enigmáticas:

FELIX DE TVRRE fez estes mosaicos para CARDILIO e AVITA que ali viviam;

FELIX DE TVRRE fez os mosaicos em homenagem a CARDILIO e AVITA;

FELIX fez o retrato de CARDILlO e de AVITA, em vida, na localidade chamada TVRRIS;

A TORRE será feliz enquanto viverem CARDILIO e AVITA;

Vivendo CARDILIO e AVITA na TORRE FELIZ; CARDILIO e AVITA vivem felizes nesta TORRE; CARDILIO e AVITA morando na TORRE FELIZ. Se admitido está que CARDILIO e AVITA terão vivido no século IV, há construções, e espólio recolhido e identificado, que apontam para ocupação anterior, nos séculos I e II.


Das Ruínas, com extensos pavimentos de OPVS SIGNINVM e OPUS TESSELLATVM, sobressaem:

- PERISTYLVM, ou elemento central, com vestígios de doze colunas, quatro de cada lado, que formam um claustro, com vinte metros de lado, em que se insere faixa de 3,50 m de largura, revestido por seis diferentes tapetes de mosaicos. Nestes mosaicos, de tesselas de pedras azuis e brancas, que se misturam com outras de barro vermelho e amarelo, abundam os motivos geométricos (círculos secantes, quadrados, losangos simples ou combinados, triângulos seriados, círculos concêntricos), que se completam com nós de Salomão simples ou múltiplos, tranças, quadradinhos polícromos, etc.

Ao centro um quadrado de onze metros de lado, que seria jardim, com um poço revestido de alvenaria, de cerca de sete metros de profundidade, no extremo sul.

As escavações de 1984 puseram a descoberto, neste jardim, uma conduta e restos de paredes de construção anterior à "villa".

Uma calha de 50 em de largura, de OPVS SIGNINVM, corre ao longo dos quatro lados do quadrado.

OSTIVM. que terá sido a entrada principal, a poente do claustro, pavimentada por mosaico de tesselas, de cerca de 5x5 m.

Este mosaico é constituído por vários painéis, num dos quais, colocado a meio da segunda Fila, a inscrição já atrás referida. Noutro painel, na fila imediatamente abaixo, e descentrado para a esquerda, o busto de CARDILIO, de cabelo curto e ombro direito nu, com pregas na toga de púrpura, presa por fíbula, e o de AVITA, de cabeleira de vidros azuis-claros e tesselas azuis-escuras, e com veste que deixa desnudado o ombro direito.

Em terceiro painel, bem emoldurado, um grupo de quatro aves com flores pendentes dos bicos, postas duas a duas, em sentidos diametralmente opostos. Preenche o conjunto rica ornamentação de motivos geométricos (cubos em perspectiva, semicírculos. quadrados, triângulos, rombos, nós de Salomão, etc.), em tesselas azuis, vermelhas e amarelas sobre fundo branco.

O peristylum comunica a nascente com uma ampla sala de 10x6,5 m, pavimentada a OPVS SIGNINVM, ao fundo da qual se abre uma ábside que apresenta no pavimento uma fiada de buracos, onde se mantêm incrustados vestígios de cinzas, porventura emulsionadas com óleos e gorduras. É a EXEDRA, precedida de pórtico, que houve quatro colunas de frente e duas laterais. Eram de mármore as bases que se conheceram de três colunas e das quais só uma existe hoje.
Tanque a nordeste do peristylum, ladeado por colunas de tijolo, em três das suas quatro faces.
Pequena arcaria de tijolo para aquecimento, a poente do peristylum.


Texto de J. R. Bicho

in "Folheto Turístico", ed. Serviços Culturais da Câmara Municipal de Torres Novas

Fotos: Marius70

16.7.10

Macrinus e Diadumenianus

Macrinus
(Marcvs Opellivs Macrinvs)
Imperador - 217 a 218 d.C.

Macrino


Nascido obscuramente, por volta de 166, em Cesaréia, na Muritânia, Marcus Opellius Macrinus foi agente financeiro do poderoso prefeito pretoriano Caius Fulvius Plautianus e, mais tarde, sob Caracalla, foi prefeito pretoriano. Depois de arquitectar a morte de Caracalla, tornou-se seu substituto e indicou seu filho, Marcvs Opellivs Macrinvs Diadumenianus, para o cargo de caesar (217). Suas nomeações ilícitas provocaram hostilidade do Senado e após uma campanha desastrosa contra os partos, as tropas rebelaram-se e proclamaram imperador Elagabalus (203-222). Macrinus foi derrotado e capturado e, em função da sua incompetência militar e administrativa, foi executado, assim como seu filho Diadumenianus, pelas tropas rebeldes.

Diadumenianus
(Marcvs Opellivs Antoninvs Diadvmenianvs)
Filho de Macrinus - 218 d.C. (co-imperador com seu pai)

Diadúmeno


Marcus Opellius Diadumenianus era filho do imperador Macrinus. Nasceu em 208 d.C. Seu pai, ao ser aclamado imperador, nomeou-o caesar em 217 d.C. tendo adoptado o nome Antoninus, indicando a sua vinculação com a dinastia de Caracalla e mais tarde, augustus; mas a incompetência militar e administrativa de Macrinus teve como conseqüência o assassinato dos dois em 218 d.C. por tropas rebeldes, fiéis à memória de Caracalla.