26.1.06

O Alvorecer do Cristianismo



  Quando Augusto, no vigésimo ano do seu império, promovia o recenseamento da sua população, nascia Jesus Cristo num estábulo na cidade de Belém da Judeia, onde reinava o idumeu Herodes. Perseguido ainda nos braços de Sua Mãe, fugia para o Egipto, retirando-se depois para Nazaré. Trabalhou com seu pai durante trinta anos. Recebeu o baptismo de João Baptista, seu precursor. Pregou a sua doutrina durante três anos. Arrastado aos tribunais pelos fariseus e traído por Judas, foi condenado à morte no tempo do prefeito Pôncio Pilatos, tendo sido crucificado no Gólgota entre dois malfeitores (no reinado do imperador Tibério)

  Difundida a sua doutrina através dos apóstolos foi Pedro escolhido para 1º papa, tendo sido crucificado em Roma de cabeça para baixo. Paulo, apóstolo vibrante dos gentios, foi degolado em Roma, porque como cidadão romano, não podia ser crucificado.

  Difundida através da vastidão do império romano a nova doutrina viria a sofrer dez perseguições terríveis que originaram o martírio de milhares de cristãos, cujo sangue derramado no Coliseu foi «semente de novos mártires», na expressão de Tertuliano. Refugiados nas catacumbas, (galerias subterrâneas perto de Roma), lá exerciam o culto divino e sepultavam também os seus mortos.

  Com o «édito de Milão», em 313 (no tempo do imperador Constantino), que dava liberdade aos cristãos, o cristianismo difundiu-se por toda a parte.


Baptismo de Constantino

17.1.06

Arquitectura Romana III

 O domínio da arquitectura, revelou-se a partir do apogeu da era imperial, de Tibério, a Nero e a Domiciano. O estilo que floresceu, dentro do verdadeiro espírito romano, caracterizou-se pela criação de grandes espaços interiores, destinados não só para fins religiosos como para a pompa e o esplendor dos palácios, balneários e anfiteatros.

 Roma mostrava o poder do Império através da sua arquitectura, representada em pinturas e na decoração como os arqueólogos e historiadores puderam testemunhar nas escavações efectuadas em Pompeia, Herculano, Stabia e Oplontis, soterradas aquando a erupção do Vesúvio.

 O apogeu foi atingido no século II d.C., com as criações grandiosas de Trajano e Adriano. O fórum de Trajano construído por Apollodurus e as cidades portuárias como Óstia marcaram os feitos grandiosos da dinastia antonina. A Via de Trajano, de Alepo a Antioquia, Síria, foi tão bem construída que ainda hoje pouco se nota, a passagem do tempo.

 O Panteão de Roma e a villa de Adriano em Tivoli são testemunhos convincentes do potencial das soluções curvilíneas. Os balneários de Diocleciano, a Aula Palatina de Trier e a basílica de Maxêncio, em Roma, demonstram bem a visão da arquitectura romana em toda a sua plenitude, tendo influenciado as arquitecturas seguintes, como a do Renascimento (o Humanismo trouxe o interesse pela investigação da natureza e o culto à razão e à beleza característicos da cultura greco-romana, criando as bases do Renascimento artístico e científico dos séculos XV e XVI), do Barroco (o barroco nasceu e se desenvolveu em princípios do século XVII na Roma dos papas) e do Neoclassicismo (floresceu na França e na Inglaterra, por volta de 1750, sob a influência do arquitecto Palladio (palladianismo), e estendeu-se para o resto dos países europeus, chegando ao apogeu em 1830).

 Este legado arquitectónico atesta a grandiosidade e a influência do génio romano.

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                       Fórum de Trajano                                        Aula Palatina

9.1.06

Arquitectura Romana II

 Com a construção do Fórum no centro de Roma no tempo de César, o padrão arquitectónico romano foi estabelecido. Augusto, após a sua tomada de poder, disseminou-o pelos territórios conquistados através das legiões romanas. Na Gália em especial, os empreendimentos reflectiam de perto os de Roma, com a construção de fóruns, Capitólio, templos, arenas culturais e desportivas. Criaram estradas de importância tanto comercial como estratégica, pontes, aquedutos e reservatórios de água.

 As estradas romanas tomavam diferentes formas consoante os materiais disponíveis e dos problemas específicos postos pelo terreno. Eram construídas acima da paisagem circundante, sobre uma camada ou fundação de cascalho grosso.

 Rios, ribeiros, ravinas e gargantas, não foram obstáculo à engenharia romana. O uso da técnica do arco tornou a construção de pontes mais fácil. Se um simples arco não era suficiente para atravessar um rio, tinham de ser usados dois ou mais arcos. Os engenheiros romanos para erguer um pilar sólido nas águas mais profundas, erguiam uma armação de tábuas de madeira e juncos no meio da corrente no local desejado, calafetavam-na com argila para não deixar passar a água e depois secavam a área de trabalho. A versão romana da invenção grega do «parafuso de Arquimedes» foi de muita utilidade pois a sua lâmina de ferro em espiral estancava a água com grande eficácia por meio de um apertado invólucro cilíndrico.


segovia
Aqueduto de Segóvia – Espanha
parafuso
Parafuso de Arquimedes


2.1.06

Arquitectura Romana I

«Roma era uma cidade de tijolos, transformei-a numa cidade de mármore»

Augustus

 A arquitectura que os romanos nos legaram é uma das mais importantes da história do Homem. Durante séculos, os romanos criaram uma profusão de edifícios de grande importância. Revolucionaram as técnicas de construção. A utilização repetida do arco, da abóbada e da cúpula monstram-nos, na actualidade, concepções de rara beleza com esquemas espaciais grandiosos e imaginativos.

 Os romanos foram “beber” a várias fontes o desenvolvimento da sua arquitectura; de início às tribos itálicas e etruscas, derivou para o período helenístico e depois às asiáticas com a penetração do Império na Ásia.

 As campanhas de Sula na Cilícia e na Grécia entre 92 e 85 a.C., originaram estruturas grandiosas como o templo da Fortuna Primigenia em Praeneste e o templo de Júpiter Anxur em Terracina.




18.12.05

Vergílio

 Publius Vergilius Maro nasceu em 70 a. C., em Andes, perto de Mântua, de família modesta (o pai era lavrador) mas que lhe proporcionou uma boa instrução. Estudou inicialmente em Cremona e depois em Nápoles e Milão, onde terá composto os pequenos poemas, como Culex e Copa, que lhe são atribuídos. Apresentado ao governador da Gália Cisalpina, Polião, compôs as Bucólicas (41-39 a. C.). Através de Mecenas conheceu Horácio. Aconselhado por Mecenas, e para servir os projectos de Augusto, que desejava fazer renascer na Itália a agricultura e os velhos costumes, produziu as Geórgicas. Tanto nas Bucólicas como nas Geórgicas, Vergílio lembra-se com doçura da sua terra natal, levando-o a cantar as belezas da vida campestre.

 Na sua grande obra épica, Eneida, obra que celebra a grandeza de Augusto atribuindo-lhe ascendência divina, cuja prestigiosa figura se fazia derivar a estirpe latina, ordenava: «Não se esqueçam, Romanos, de governar as nações». Governar o mundo não era apenas um privilégio de Roma, era sobretudo um dever. O seu exilado herói troiano, o pius (piedoso ou respeitador) Eneias, pode mesmo ter sido um idealizado ícone do próprio Augusto, como ele desejava ser visto: discretamente corajoso, amável e sensível, mas simples e modesto nos seus gestos; o chefe consciencioso cuja vida era humildemente dedicada ao seu povo. Para acabar este poema quis conhecer a Grécia. Morreu em Brindes (19 a. C.) no retorno dessa viagem. Tinha 51 anos.



 A Eneida, inacabada, foi publicada pelos seus amigos que, felizmente, não a destruíram como era sua vontade.

 Vergílio, cisalpino e quase celta é, incontestavelmente, o poeta mais perfeito da literatura romana. A sua doçura e a sua melancolia sonhadora são quase excepção na história do espírito latino.

8.12.05

Século de Augusto - (43 a.C. – 14 d.C.)

A paz Octaviana e a protecção admirável às artes e às letras fizeram surgir uma plêiade admirável de artistas que engrandeceram o Século de Augusto.

 Mereceu o primeiro "imperador" romano baptizar o seu século, pelo admirável desenvolvimento artístico que empreendeu em todo o império e principalmente em Roma, atingindo a civilização latina o seu período áureo.

 Agripa continuou as grandes obras de utilidade pública, cobrindo a cidade de Roma de tal esplendor que seduziu os espíritos ávidos de cultura, tornando-se a capital intelectual do mundo antigo. Mecenas grande cooperador de Augusto e, amigo íntimo de Vergílio, mereceu o cognome de «Pai dos artistas» pelo carinho incansável com que os patrocinou.

Poesia Épica


  Lucrécio – escreveu o admirável poema «Natureza» onde defendia as ideias materialistas de Epicuro, filósofo grego, atacando as crenças religiosas.

  Vergílio– Nasceu perto de Mântua; cantou a sua epopeia «Eneida» o herói da guerra de Tróia e do povo romano, glorificando deste modo Augusto. A doçura da sua terra natal levou-o a cantar nas suas «Bucólicas» e «Geórgicas» as belezas da vida campestre.

Poesia Lírica



 Cátulo – Exprimiu o seu sentimento poético em agradáveis elegias.




 Horácio – É neste género a glória da cultura latina clássica. Cantou a sua alegria de viver nas suas «Odes», e retrata os seus contemporâneos nas «Sátiras».


 Ovídio – Desterrado da corte de Augusto, ignorando-se o motivo, escreveu, antes do exílio: «Amores» e Metamorfoses»; durante o exílio: «Tristia» e «Pônticas», na cidade Tomi, perto do Mar Negro.

História

 Salústio – Nasceu em 86 a. C., na Sabínia, de família plebeia, mas rica. Expulso do Senado em 50 a. C. pelos seus maus costumes, colocou-se ao lado de César quando este transpôs o Rubicão (49 a.C.). Foi um crítico severo contra a avareza patrícia. Escreveu: «Da Conjuração de Catilina» e «Da Guerra de Jugarta». Perderam-se as suas «Histórias» sobre os acontecimentos romanos. Morreu em 34 a.C.




 Júlio César
– Hábil político e admirável general, descreveu-nos as suas campanhas da Gália no seu livro: «Comentários da guerra gaulesa»; no outro seu livro «Comentários da guerra civil» narra-nos as suas lutas com Pompeu.




 Tito Lívio– Tito Lívio nasceu em 59 a.C. em Pádua e morreu em 16 d.C. na mesma cidade. Era de família patrícia e foi amigo de Augusto e preceptor de Cláudio. Foi enorme a sua reputação como escritor.
A sua História Romana desde a fundação compunha-se de 142 livros dos quais nos chegaram apenas os livros I-IX e XXI-XLV mais alguns fragmentos tendo trabalhado nela 21 anos. Descreve-nos, com independência crítica, as vicissitudes da história romana, desde Rómulo até à morte de Druso irmão de Tibério.

Geografia



 Agripa
– Cultor entusiasta, fez a carta do império romano.


Artes

 Agripa e Augusto – Ao restaurar os antigos templos de Roma, Augusto, voltou a desenvolver o Fórum, criou novos anfiteatros, pórticos, palácios e santuários. O Panteão e o Altar da Paz são obras de admirável valor artístico. «Roma era uma cidade de tijolos, transformei-a numa cidade de mármore» disse Augusto.




O templo de Marte Ultor «Marte o vingador» foi mandado construir em cumprimento a uma promessa de Augusto, por ter perseguido os assassinos do seu tio Júlio César.